Os preços globais do petróleo registraram queda significativa, com o Brent recuando cerca de 13% para US$ 94,80 o barril e o petróleo negociado nos EUA caindo mais de 15% para US$ 95,75. A desvalorização ocorre após o anúncio de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, que inclui a reabertura da estratégica via navegável do estreito de Ormuz.
Apesar da queda, os preços permanecem superiores aos níveis anteriores ao início do conflito em 28 de fevereiro, quando o barril era negociado a cerca de US$ 70. A trégua, no entanto, trouxe alívio aos mercados de ações globais, com os principais índices da Ásia-Pacífico registrando altas expressivas.
Impacto no Brasil
O Brasil pode se beneficiar da redução nos preços internacionais do petróleo. A queda do Brent tende a refletir no mercado nacional, aliviando a pressão sobre os combustíveis, que vinha sendo parcialmente mitigada por um pacote de medidas do governo federal. O diesel, em particular, é um ponto de atenção para o governo, devido ao seu impacto no transporte de mercadorias e na safra agrícola.
O governo já havia anunciado R$ 30 bilhões para mitigar o encarecimento do diesel, com o objetivo de garantir um desconto na bomba através da redução de impostos e subvenção. A gestão Lula ampliou o subsídio para o litro produzido no país, além de isentar impostos federais para o querosene de aviação e oferecer linhas de crédito para o setor.
A eficácia dessas medidas, contudo, enfrentou desafios com a não adesão de grandes empresas importadoras de diesel, que relutavam em seguir os limites de preço estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A queda nos preços globais pode ajudar a contornar essa falta de adesão.
Cenário na Ásia e Mercados Globais
Na Ásia, os mercados de ações apresentaram forte recuperação. O Nikkei 225 do Japão subiu 5%, o Kospi da Coreia do Sul avançou quase 6%, e os índices de Hong Kong e Austrália também registraram altas. Futuros do mercado de ações dos EUA indicavam uma abertura positiva em Wall Street.
O custo da energia na região havia disparado devido à interrupção do fornecimento de petróleo e gás do Oriente Médio. A reabertura do estreito de Ormuz, mesmo que parcial e sujeita a incertezas, proporciona um alívio temporário. Analistas apontam que a confiança em um acordo de paz duradouro e a reparação de infraestruturas danificadas serão cruciais para a retomada total da produção e a estabilização dos preços a longo prazo.
Países asiáticos, que dependem fortemente da energia do Golfo, foram particularmente afetados pela escalada de preços. Medidas emergenciais foram anunciadas para lidar com a escassez e os altos custos, incluindo a declaração de estado de emergência energética em alguns países e o aumento de tarifas aéreas.