A líder do partido de oposição Kuomintang (KMT) de Taiwan, Cheng Li-wun, iniciou uma visita à cidade de Nanjing, na China, nesta quarta-feira. A visita carrega um forte simbolismo histórico, sendo Cheng a primeira líder do KMT a visitar a China em uma década, em um momento de crescentes tensões entre a ilha e Pequim.






Cheng, vista como defensora de laços mais estreitos com Pequim, aceitou um convite feito pelo presidente chinês Xi Jinping em março. Ela expressou o desejo de se encontrar com Xi, embora um encontro oficial ainda não tenha sido confirmado.
A China considera Taiwan uma província separatista que deve ser reunificada ao continente, e reage com desaprovação a qualquer movimento em direção à independência da ilha.
O peso da história na visita
A divisão entre China e Taiwan remonta à Guerra Civil Chinesa. Nanjing foi a capital da República da China, liderada pelo KMT, antes de o governo fugir para Taiwan em 1949, após a derrota para os comunistas de Mao Zedong. Taiwan mantém oficialmente o nome de República da China (ROC).
Nesta quarta-feira, Cheng visitou o mausoléu de Sun Yat-sen em Nanjing, figura reverenciada em ambos os lados do Estreito de Taiwan. Sun é considerado um revolucionário na China e o “pai da nação” em Taiwan.
Cheng afirmou que o KMT honrou os princípios fundadores de Sun ao transformar Taiwan em uma sociedade democrática, ao mesmo tempo em que reconheceu os 38 anos de lei marcial impostos pelo KMT, conhecidos como “terror branco”.
Tensões elevadas no Estreito de Taiwan
O contato oficial entre China e Taiwan foi rompido em 2016, quando Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), venceu a presidência e rejeitou publicamente as reivindicações de Pequim sobre a ilha. Desde então, as relações se deterioraram, com o presidente Xi Jinping não descartando o uso da força para unificar Taiwan.
Pequim se recusa a dialogar com o atual presidente taiwanês, Lai Ching-te, a quem classifica como “separatista”.
Líder do KMT clama por ‘paz’
Cheng buscou minimizar as tensões em seus pronunciamentos, afirmando que “os dois lados do Estreito de Taiwan não estão fadados à guerra”. Ela expressou esperança de “plantar as sementes da paz” para os chineses de ambos os lados e para toda a humanidade, promovendo a reconciliação e a prosperidade regional.
Em contrapartida, o diretor-geral do Bureau de Segurança Nacional de Taiwan, Tsai Ming-yen, alertou que a China utiliza intimidação militar para criar um clima de perigo e instabilidade, visando gerar pressão psicológica e dividir a sociedade taiwanesa.
Partido governista de Taiwan critica visita
O porta-voz do DPP, Wu Cheng, declarou que, se o KMT deseja estabilidade, deveria parar de bloquear um suplemento de defesa de US$ 40 bilhões no parlamento. Ele enfatizou que a paz deve ser garantida pela força de Taiwan, não pela “caridade de ditadores”. O governo de Lai defende que Pequim cesse sua agressão militar e respeite o direito do povo taiwanês de escolher seu próprio futuro.
Fonte: Dw