O discreto operador financeiro Benjamim Botelho de Almeida, proprietário da gestora Sefer Investimentos, é apontado como a mente por trás da arquitetura inicial e das operações do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro. Botelho auxiliou Vorcaro desde a concepção do banco até os primeiros negócios com a Fictor, empresa que tentou adquirir o Master às vésperas de sua liquidação pelo Banco Central.
A Teia de Influência e Operações Suspeitas
Documentos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero indicam que a maioria das operações suspeitas da família Vorcaro envolve as empresas de Benjamim Botelho. Entre essas operações, a PF cita a compra e venda de fundos imobiliários, debêntures e outros títulos de origem duvidosa, além da constituição de empresas de fachada e conflitos de interesses.
Botelho, que reside em Portugal, é dono de um complexo de empresas com conexões em paraísos fiscais. Ex-associados descrevem seu comportamento discreto e o uso do termo “chinese wall” para manter distância dos empregados.
Transações com a Fictor e Fundos de Pensão
Botelho é protagonista em uma transação de mais de R$ 500 milhões entre uma empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman e a Fictor. A Fictor, que anunciou a compra do Master, listou a empresa de Botelho como sua segunda maior credora após pedir recuperação judicial com R$ 4 bilhões em dívidas. Documentos revelam que o verdadeiro credor da Fictor, por trás de um fundo administrado pela Sefer, é uma holding de Vorcaro.
A Sefer administra 102 fundos com patrimônio superior a R$ 20 bilhões. Cerca de R$ 9,6 bilhões desses fundos possuem relação financeira com o ecossistema do Master, seja por investimento direto em empresas ligadas ao banco ou por manter ativos que já foram alvo da instituição.
Histórico e Estrutura da Sefer Investimentos
Com experiência no Banco Garantia nos anos 1990, Botelho fundou a Sefer Investimentos em 2003. A empresa foi rebatizada ao longo dos anos, enquanto seu fundador se via envolvido em processos sancionadores da CVM e investigações da Polícia Federal. Entre 2019 e 2021, Botelho foi alvo de pelo menos cinco processos sancionadores, incluindo investimentos de fundos de pensão que teriam beneficiado empresas de Daniel Vorcaro.
A PF descreve que Botelho gerencia fundos de investimentos que compram ativos duvidosos, elevam seus preços e os revendem a empresas de Vorcaro e familiares, prejudicando outros investidores, como fundos de pensão. Essas operações também inflaram ativos que foram parar no patrimônio do Master.
A ‘Holding Ostentação’ e Paraísos Fiscais
As digitais de Benjamim Botelho também estão na Titan, a “holding ostentação” de Vorcaro, localizada em um escritório de 4 mil metros quadrados na Faria Lima. Formalmente sediada nas Ilhas Cayman, a Titan já se chamou Master Holding — Sefer Investimentos, e todos os seus contatos no Brasil são da gestora de fundos de Botelho.
Em Portugal, Botelho é dono de empresas como a Zeal Capital e a Drako, esta última controlada por uma empresa suíça. A empresa suíça, por sua vez, tem a Hoag Investments, com a mulher de Botelho como conselheira, cujo capital deriva da aquisição de empresas em Delaware, conhecido paraíso fiscal norte-americano.
Fonte: Estadão