A janela partidária, encerrada nesta sexta-feira (3), resultou na troca de partido de pelo menos 115 dos 513 deputados federais, representando 22% das cadeiras na Câmara. O Podemos foi a sigla que mais atraiu parlamentares, enquanto o PL conseguiu recompor sua bancada. A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve-se estável.


Os números finais podem apresentar pequenas variações, pois algumas trocas de última hora ainda podem ser registradas no sistema da Câmara. O Podemos agora conta com 27 integrantes, ultrapassando o PSDB, que ressurgiu com 17 representantes.
Tanto o Podemos quanto o PSDB, apesar de carecerem de lideranças regionais fortes, possuem estruturas partidárias consolidadas. Isso os torna atraentes para parlamentares que buscam controle de legendas estaduais sem a necessidade de disputas internas ou divisão de poder.
O PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, foi um dos que mais se beneficiaram. A legenda, que elegeu 99 deputados em 2022, enfrentou perdas por desentendimentos internos e aproximação com o governo. Com a janela, atraiu 9 novos parlamentares, elevando sua bancada para 96.
O PSD, de Gilberto Kassab e do ex-governador Ronaldo Caiado, permaneceu estável, com 47 integrantes após perder e atrair 14 deputados. Já o PDT viu sua bancada encolher para 11 membros, com a perda de 6 deputados.
Para a maioria dos partidos da base de Lula, as mudanças foram mínimas. O PT não registrou trocas, e a federação com PV e PCdoB ganhou um deputado cada, totalizando 82 cadeiras. O PSB informou a perda de 5 deputados e a filiação de dois, mas a situação pode ser alterada com a filiação do senador Rodrigo Pacheco, que pode atrair deputados federais para a sigla.
O que é a janela partidária?
A janela partidária é um período em que deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem perder o mandato, pois a Justiça Eleitoral considera que o mandato pertence ao partido. Senadores podem mudar a qualquer tempo. A janela abre 30 dias antes do prazo final para a troca, que antecede as eleições de outubro.
Impacto das mudanças partidárias
Um número expressivo de deputados fortalece os partidos nas negociações políticas e na disputa por candidaturas. Embora ter mais deputados aumente o poder político, também representa um desafio na distribuição do fundo eleitoral. Para os partidos que perderam quadros, a expectativa é que a verba garantida em eleições anteriores auxilie na eleição de novos parlamentares.
Antes mesmo da abertura oficial, 48 deputados já haviam trocado de partido. Exemplos incluem o ex-ministro Ricardo Salles, que se filiou ao Novo para concorrer ao Senado, e Luciano Zucco, que migrou do Republicanos para o PL visando o Governo do Rio Grande do Sul.
Fonte: UOL