Phil Werring considera recusar o serviço militar e não deseja ingressar no Exército Alemão, a Bundeswehr. O estudante expressou à DW que, embora digam que o serviço é para defesa, ele não vê uma situação de ameaça que justifique seu interesse em completar o serviço obrigatório.






O serviço militar permanece voluntário na Alemanha, mas essa situação pode mudar. O exército necessita de pelo menos 60.000 soldados adicionais nos próximos anos. Especialistas militares e o próprio Werring consideram improvável que muitos alemães se alistem voluntariamente, prevendo a implementação do serviço militar obrigatório.
Werring, juntamente com pessoas de ideias semelhantes, organizou a “Greve Escolar contra o Serviço Militar Obrigatório” em todo o país. Ele, que frequenta uma escola em Münster, é um dos porta-vozes da iniciativa. A questão do recrutamento é de grande importância para ele e seus amigos, especialmente devido às novas leis de serviço militar da Alemanha. Desde o início de 2026, o exército enviará a todos os jovens um questionário ao completarem 18 anos, ao qual são obrigados a responder.
Uma das perguntas é sobre o interesse em se tornar soldado, com uma escala de zero a dez. Mesmo aqueles que expressam “zero interesse” podem ser convocados para um exame médico obrigatório por um médico do exército. Essa obrigatoriedade se aplica a jovens nascidos a partir de 2008. Embora mulheres possam se voluntariar, apenas homens podem ser legalmente obrigados a realizar o exame físico ou o serviço militar.
Direito à objeção de consciência na constituição alemã
A intensificação da campanha de recrutamento da Bundeswehr, o possível retorno do serviço militar obrigatório e as discussões sobre um ataque russo ao território da OTAN têm levado muitos jovens a considerar a aplicação para objeção de consciência. Indivíduos reconhecidos como objetores de consciência não podem ser convocados para o serviço militar, nem mesmo para a defesa do país.
A Constituição Alemã, a Lei Fundamental, garante que “ninguém pode ser forçado ao serviço militar armado contra sua consciência”, uma reação às experiências das guerras mundiais e da ditadura nacional-socialista. A Alemanha teve serviço nacional obrigatório por décadas, com uma opção de serviço civil para quem não desejava servir no exército. Este foi suspenso em 2011, levando a uma redução significativa do tamanho do exército.
A situação mudou com a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022. Desde então, o número de objetores de consciência tem aumentado continuamente. Em 2025, um novo recorde foi atingido com 3.879 candidaturas, segundo o Escritório Federal para Assuntos da Família e Sociedade Civil (BAFzA). A tendência continuou nos primeiros meses de 2024, com cerca de 2.000 candidaturas registradas até o final de fevereiro.
Dilema moral pessoal como fator decisivo
Organizações de aconselhamento que auxiliam no processo de objeção de consciência têm visto um aumento nas consultas. A Sociedade Alemã pela Paz — Resistentes ao Serviço de Guerra (DFG-VK) estabeleceu uma rede nacional com mais de 200 conselheiros voluntários.
Lothar Eberhardt, conselheiro da DFG-VK em Berlim, tem facilitado inúmeras entrevistas de aconselhamento, focando no elemento central da candidatura: a razão pessoal pela qual alguém não pode realizar o serviço militar por motivos de consciência. Ele busca entender o dilema moral e as circunstâncias individuais que levam a pessoa a dizer “não” à guerra.
Eberhardt, que é um objetor de consciência reconhecido há cerca de 50 anos, explica que declarações genéricas ou argumentos padronizados não são suficientes. A declaração pessoal deve convencer o avaliador especialista. Embora as candidaturas sejam geralmente aceitas quando o raciocínio é bem fundamentado e o dilema moral é credivelmente articulado, algumas são rejeitadas.
Phil Werring também está considerando solicitar objeção de consciência e planeja, com amigos e colegas de classe, explicar publicamente seu desejo de recusar o serviço militar. Ele afirma que demonstrarão em uma ação pública de alto perfil que não têm interesse em serem enviados para a guerra. Independentemente disso, ao receber o questionário da Bundeswehr, ele responderá “sem interesse”.
Fonte: Dw