EUA e China: Dependência Energética Global e Transição em Xeque

EUA e China enfrentam desafios na dependência energética global e na transição para energias limpas, com a alta do petróleo impactando suas estratégias.

A independência energética dos Estados Unidos, embora almejada, ainda não é uma realidade completa, com os custos energéticos do país mantendo-se atrelados aos mercados globais. A produção nacional de petróleo, que já cobriu 95% do consumo em 1949, viu sua participação diminuir devido à demanda crescente, levando a um aumento nas importações. Um marco de realidade ocorreu com o embargo de 1973, e a produção nacional continuou a declinar nas décadas seguintes.

Uma revolução tecnológica nos anos 2000, impulsionada pelo fracking e pela exploração em alto mar, reverteu essa tendência. Atualmente, a produção dos EUA cobre dois terços do consumo interno. Contudo, um desajuste de infraestrutura persiste: 40% da capacidade de refino é destinada a processar importações, muitas vezes de petróleo pesado, enquanto o petróleo leve e doce produzido internamente é majoritariamente exportado. A atual crise energética global, que eliminou cerca de 11 milhões de barriles diários dos mercados, intensifica essa questão.

Fatores como a menor participação da gasolina nos orçamentos familiares, devido a décadas de melhorias na eficiência energética dos veículos, e o avanço de tecnologias como carros elétricos e bombas de calor, oferecem amortecimento parcial. No entanto, a transição para essas novas energias foi desacelerada por cortes em subsídios, e as vendas de veículos elétricos ainda representam menos de 10% do total. A produção petrolífera dos EUA é uma vantagem estratégica, mas a falta de adaptação pode expor o país a riscos maiores.

As complexidades da transição energética chinesa

A PetroChina, maior empresa de petróleo da China, recuperou brevemente o posto de mais valiosa do país em março, superando bancos estatais. Esse movimento destaca o valor das produtoras de energia como amortecedor de segurança energética, mas o desempenho de sua subsidiária, a Sinopec, revela os desafios da transição energética chinesa em meio à alta dos preços do petróleo.

A PetroChina anunciou uma queda de 4,5% em seu lucro líquido em 2025, atingindo 20 bilhões de euros. Suas ações registraram uma alta expressiva no início da crise no Oriente Médio, refletindo sua importância como fornecedora de energia para o país, que importa 70% do seu petróleo. A produção nacional da PetroChina oferece uma salvaguarda crucial diante de possíveis interrupções nos fluxos globais.

Em contraste, a Sinopec, fundamental para a transição energética, enfrenta dificuldades. Com a adoção de carros elétricos reduzindo a demanda por combustíveis, Pequim tem pressionado a Sinopec a diminuir a produção de gasolina e diesel em favor de químicos industriais. Isso resultou em investimentos significativos em plantas de conversão para produção de polímeros e fertilizantes, mas também em perdas consideráveis. Embora a guerra tenha elevado os preços das matérias-primas industriais, é improvável que Pequim permita aumentos de custos para consumidores domésticos, tendo estabelecido um teto para os preços de varejo de combustíveis.

A China avança em direção a uma energia mais limpa, e as interrupções no fornecimento de combustíveis fósseis podem acelerar essa urgência. Contudo, a disparidade na avaliação entre PetroChina e Sinopec atingiu um recorde, indicando que a Sinopec continuará a liderar a transição energética, mesmo que os investidores ainda não a recompensem plenamente.

Fonte: Cincodias

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