Com os preços de ovos de chocolate e bacalhau elevados, o consumidor busca alternativas para manter a tradição da Páscoa. Em supermercados, itens como ovos infantis com brindes de marcas mais acessíveis já apresentam falta em algumas unidades.



Os ovos de chocolate estão mais caros em comparação com outros tipos de chocolate, uma tendência observada desde o ano anterior. Em estabelecimentos, unidades menores (80g a 120g) foram encontradas na faixa de R$ 20 a R$ 40. Opções de marcas conhecidas começam em cerca de R$ 50 e podem ultrapassar R$ 100, dependendo do tamanho e recheio. Produtos maiores, como ovos de meio quilo, chegam a R$ 109,99.
A diferença de preço explica o comportamento do consumidor. Caixas de bombom de aproximadamente 200g custam cerca de R$ 15, enquanto pacotes de 1 kg saem por R$ 45. Barras de chocolate partem de R$ 5,99 e, em marcas tradicionais, custam em torno de R$ 13 para 145g.
Em alguns supermercados, prateleiras de barras e bombons apresentaram espaços vazios, indicando maior procura. Colomba pascal e cestas de presente também dividem espaço com os ovos em áreas de destaque.
No caso do bacalhau, os preços elevados também impactam o consumidor. O produto foi encontrado por valores entre R$ 130 o quilo e R$ 195, com relatos de falta em algumas unidades.
No Mercado Municipal da Lapa, o bacalhau lidera as vendas deste período. A versão mais barata é o corte em iscas, com o quilo entre R$ 40 e R$ 50. A posta do bacalhau Porto, a mais cara, pode chegar a R$ 220 o quilo em peças maiores.
A semana da Páscoa é mais movimentada que a do Natal para alguns estabelecimentos. O movimento do mercado tem sido menor desde a pandemia, concentrando-se mais na última semana e na Semana Santa.
Alguns consumidores optaram por não preparar bacalhau devido ao alto custo. Em relação aos ovos, foram comprados apenas para sobrinhos, com preços considerados muito altos tanto em lojas especializadas quanto em supermercados.
Para muitas famílias que frequentam o Mercadão, o bolinho e o pastel de bacalhau se tornaram alternativas para aproveitar o passeio sem pesar no orçamento. A demanda por esses itens chega a crescer entre 70% e 80% no período da Páscoa.
O azeite também está entre os itens mais procurados. O preço caiu em relação ao ano passado, quando houve alta devido a questões climáticas que afetaram a safra.
Apesar dos preços elevados, a tradição prevalece para alguns. Consumidores garantiram o bacalhau para o feriado, considerando-o o ingrediente essencial do período, junto com azeite e azeitona.
Outros consumidores anteciparam as compras ou migraram para opções mais baratas de peixe, como filé de tilápia, panga, polaca e sardinha congelada.
Empresas e Preços
Do lado das empresas, a leitura é de estabilidade no comportamento do consumidor. Na Cacau Show, as vendas seguem padrão semelhante ao de anos anteriores, com crescimento de cerca de 14% impulsionado pelo aumento no número de consumidores, enquanto o valor médio gasto por compra se mantém estável.
A companhia observa maior procura por itens presenteáveis, especialmente os que incluem brindes, que já representam cerca de um terço das vendas de Páscoa.
Em lojas de shopping, produtos voltados para crianças lideram as vendas, com ovos licenciados de desenhos e franquias populares esgotando rapidamente.
Gerentes de lojas relatam que, embora possa ter havido um aumento nos preços, a diferença em relação ao ano anterior não foi muito expressiva para os consumidores que buscam produtos específicos. Lojas especializadas em chocolates tendem a ser mais caras.
A alta do cacau ainda impacta o setor, mas com sinais de estabilização. A empresa revisou processos internos para ganhar eficiência e reduzir pressões de custo. Os preços da matéria-prima já recuaram em relação ao pico observado entre o fim de 2023 e o início de 2024, mas ainda não retornaram aos níveis anteriores.
A expectativa é de melhora mais significativa nos resultados a partir do próximo ano, com a substituição de contratos mais caros e a estabilização do mercado.
Segundo o IPCA-15, os preços do chocolate em barra e dos bombons subiram 24,87% nos 12 meses encerrados em março.
Fonte: UOL