O BRB (Banco de Brasília) estuda acessar uma linha de liquidez do Banco Central para reforçar seu caixa diante da crise enfrentada após rombo deixado por operações com o Banco Master.


Essas linhas, chamadas de LFL (Linhas Financeiras de Liquidez), funcionam como empréstimos garantidos por ativos das instituições financeiras, incluindo títulos corporativos como debêntures e notas comerciais. Juros e amortizações desses títulos são transferidos para uma conta de garantia no BC.
Segundo fontes a par do tema, o BRB negocia com o BC a aceitação de suas carteiras de crédito como elegíveis para essa linha. O banco poderia ter acesso a cerca de R$ 300 milhões.
Desde julho de 2024, o BC aceita Cédulas de Crédito Bancário (CCB) como garantia, representando operações de crédito para empresas. Nesse caso, juros e amortizações permanecem nas instituições financeiras.
O BRB enfrenta problemas de liquidez após a descoberta de que comprou R$ 12,2 bilhões de carteiras sem lastro do Master. As perdas não foram integralmente cobertas pelos ativos repassados, muitos de baixa qualidade.
Para gerenciar a liquidez, o BRB tem vendido carteiras de crédito a instituições privadas. Bancos públicos como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não foram autorizados pelo governo a realizar tais operações.
A governadora do DF, Celina Leão, discutiu a crise do BRB com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O governo federal não avaliza uma eventual federalização do banco, mas Caixa e BB podem comprar ativos do BRB.
O acesso à linha financeira de liquidez do BC representa um custo de captação mais barato para o BRB em comparação com operações com bancos privados. A instituição trata o tema como contingência.
A linha poderá ser acessada gradualmente com as garantias das carteiras de crédito. O BRB não comentou as negociações.
Todo banco possui um limite estabelecido nessas linhas financeiras. Em caso de necessidade, a instituição pode solicitar a elevação desse teto, o que depende de aval do Banco Central.
O BRB já possui linhas abertas com bancos privados, garantindo liquidez para honrar seus compromissos.
O banco necessita de um aporte de capital, ainda não implementado pelo governo do Distrito Federal. O presidente do BRB afirmou que a capitalização será feita até 30 de maio, antes do prazo limite de 180 dias dado pelo BC, que termina em 5 de agosto.
Caso não se adeque às regras prudenciais, o BRB corre risco de sanções do regulador. O adiamento da divulgação do balanço de 2025 complicou a situação.
O BRB convocou uma assembleia para 22 de abril para votar um aumento de capital social de até R$ 8,817 bilhões. A subscrição mínima será de R$ 536 milhões.
Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,344 bilhões. Com o aporte mínimo, subiria para R$ 2,88 bilhões; com o máximo, para R$ 11,161 bilhões.
Serão emitidas até 1,083 bilhão de ações ordinárias e 561,87 milhões de ações preferenciais. O preço de emissão será de R$ 5,36 por ação.
A oferta de ações será por subscrição privada, restrita a acionistas atuais do banco.
Os recursos do aumento de capital serão destinados ao reforço do patrimônio líquido e de referência, visando manter os índices de capitalização regulamentares e o enquadramento prudencial.
Fonte: UOL