Uma auditoria independente encomendada pelo Banco de Brasília (BRB) trouxe uma notícia positiva para o banco estatal, que busca cobrir um rombo bilionário herdado do caso Master. O relatório identificou um valor de mercado R$ 400 milhões superior ao estimado pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) para sete dos nove imóveis públicos ofertados no socorro financeiro, totalizando R$ 4,2 bilhões. No entanto, este valor adicional não é suficiente para compensar a redução de quase R$ 3 bilhões pela ausência de outros dois terrenos.
Esses dois imóveis, descritos como “micos imobiliários” devido à baixa atratividade, ainda não foram precificados pela auditoria. A empresa solicitou mais prazo para concluir as “avaliações atípicas”, conforme o documento obtido pela Coluna do Estadão.
Após a conclusão deste relatório, a governadora Celina Leão (PP) retirou da lista um dos bens: a área ambiental Serrinha do Paranoá, avaliada pela Terracap em R$ 2,2 bilhões. Contudo, por ser uma área ambiental, sua utilização para venda ou desenvolvimento de projetos no mercado imobiliário é inviável.
BRB busca viabilizar fundo imobiliário com empresários
Na última terça-feira, 31, data prevista para a apresentação do balanço de 2025, a diretoria do BRB reuniu-se com empresários dos setores imobiliário e de construção civil. O objetivo foi discutir a viabilização do fundo imobiliário previsto no aporte ao banco. O diagnóstico dessas reuniões servirá como base para a diretoria apresentar aos acionistas o uso dos imóveis no socorro financeiro.
O BRB não divulgou o balanço do ano passado na data estipulada, pela segunda vez consecutiva. O banco convocou uma nova assembleia de acionistas para o dia 22, a fim de aprovar um aporte de capital para cobrir o rombo das compras de créditos do Master. O Banco Central avalia a possibilidade de impor ao BRB o mesmo destino do Master, que foi liquidado no ano passado.
Problemas dos imóveis sem atrativos
Os dois imóveis em questão apresentam desafios significativos:
- Serrinha do Paranoá:Trata-se de uma área ambiental cujo uso para aporte ao BRB chegou a ser barrado pela Justiça. Embora a decisão tenha sido derrubada pelo presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, especialistas consideram inviável o uso do terreno para construção, o que anula seu potencial comercial.
- Centro Administrativo do Distrito Federal:Avaliado em R$ 491 milhões pela Terracap, este imóvel enfrenta um imbróglio que se arrasta há mais de uma década. Inaugurado em 2014, o local, previsto para ser a sede do Executivo distrital, nunca foi utilizado. Os prédios apresentam graves problemas estruturais e construções inacabadas, além de problemas de vacância crônica no mercado imobiliário.
Fonte: Estadão