A intervenção do Governo espanhol na Indra, empresa na qual detém 28% do capital através da SEPI, culminou na renúncia de seu presidente, Ángel Escribano. A decisão do Executivo frustrou a fusão planejada com a EM&E, empresa da família do presidente renunciante, que agora negocia com a alemã Rheinmetall.
As ações da Indra, que haviam registrado alta expressiva no ano anterior, sofreram desvalorização de 22% no último mês. O mercado apostava na fusão com a EM&E, que visava criar um “campeão nacional da defesa”. A SEPI justificou a saída de Escribano por conflito de interesses, apesar de ter apoiado o plano por nove meses.
Escribano resistiu às pressões do Governo, liderando a transformação da Indra em um ator relevante no setor de defesa em um cenário global de rearme e instabilidade. A sucessão na presidência deve ser ocupada por Ángel Simón, indicado pela SEPI.
A atuação da SEPI foi criticada por não explicar as razões para o abandono do plano estratégico previamente apoiado. A forma como a decisão foi comunicada a Escribano também gerou controvérsia, lembrando casos anteriores em outras empresas estatais.
Uma nova fase se inicia na Indra, que precisará definir sua estratégia futura como pilar da defesa espanhola e da autonomia estratégica europeia.
Fonte: Cincodias