Os juros futuros registraram leve queda nesta quarta-feira (1), impulsionados pelo otimismo nos mercados globais em relação ao conflito no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que a guerra pode ser encerrada em duas a três semanas.
A renda fixa apresentou um desempenho mais moderado em comparação com outros mercados, com menor ímpeto após a significativa redução dos prêmios de risco nos dois pregões anteriores. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 fechou em 14,035%, uma leve queda em relação ao ajuste anterior. O contrato de janeiro de 2028 recuou de 13,77% para 13,725%, e o de janeiro de 2029 cedeu de 13,72% para 13,675%. Já o DI de janeiro de 2031 registrou baixa de 13,835% para 13,815%.
Os juros futuros terminaram o pregão distantes das mínimas intradiárias registradas no início do dia. Por exemplo, a taxa do DI de janeiro de 2029 chegou a cair 0,15 ponto percentual, mas essa intensidade de queda se dissipou rapidamente.
Um membro da tesouraria de um grande banco local, que pediu anonimato, descreveu a sessão como “relativamente calma”, em grande parte devido ao tom mais tranquilo no cenário internacional. Nos Estados Unidos, os movimentos na renda fixa foram ainda mais contidos, com a taxa da T-note de dez anos oscilando minimamente.
A liquidez foi baixa, e os participantes do mercado adotaram uma postura de espera. As expectativas em torno do discurso de Trump sobre a guerra geraram volatilidade durante a tarde, contribuindo para a redução dos ganhos em alguns ativos de risco, incluindo a renda fixa doméstica. Segundo informações da Bloomberg, Trump deve focar nos sucessos da incursão militar americana contra o Irã e reiterar o prazo para o fim do conflito.
Após a forte aversão a risco observada na segunda quinzena de março, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional agendado para esta quinta-feira pode atrair demanda significativa de investidores estrangeiros e locais. No entanto, a expectativa depende da abertura dos mercados após o pronunciamento de Trump.
Com a perspectiva de término da guerra em menos de um mês, o petróleo recuou fortemente, o que tende a aliviar os temores sobre o impacto inflacionário e, consequentemente, na política monetária do Banco Central. Economistas consultados pelo Valor projetam um IPCA próximo ao teto da meta, de 4,5%, e um corte de apenas 2 a 2,5 pontos percentuais na Selic este ano.
Para a reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), o consenso do mercado e dos economistas aponta para um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,50%. A probabilidade de um corte de 0,5 ponto é de 28%, enquanto o mercado precifica 18% de chance de manutenção da taxa em 14,75%.
Fonte: Globo