A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decidiu excluir uma área de preservação ambiental do plano de socorro ao Banco de Brasília (BRB). O banco enfrenta um rombo deixado pela aquisição do Banco Master e corre o risco de ser liquidado pelo Banco Central.
Celina Leão, que assumiu o governo recentemente, buscou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para solicitar apoio do governo federal. A governadora propôs que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil adquiram ativos do BRB como parte do plano de resgate.
Inicialmente, o governo do Distrito Federal ofereceu nove imóveis para garantir um empréstimo e formar um fundo mobiliário para o BRB. O imóvel de maior valor, estimado em R$ 2,3 bilhões, é a “Gleba A”, que inclui uma área ambiental conhecida como Serrinha do Paranoá. Embora a Justiça tenha bloqueado o uso do terreno por questões ambientais, o governo obteve uma reversão provisória da decisão.
Agora, Celina Leão optou por preservar a área ambiental dentro do terreno. O imóvel continuará na lista de salvamento do BRB, mas a porção de interesse ambiental será separada. Um decreto está sendo preparado para declarar o interesse ambiental do território, criar um parque ecológico e regulamentar seu uso.
Preservação ambiental e troca de secretário
A assessoria de imprensa da governadora informou que a decisão garante a preservação ambiental da região, considerada sensível e de grande relevância ecológica. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Secretaria de Meio Ambiente foram instruídos a adotar providências para a criação do Parque da Serrinha, destinando a área para conservação e uso sustentável.
Em meio a essas negociações, a governadora decidiu substituir o secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel de Carvalho, que liderava a articulação técnica para capitalizar o BRB. O economista Valdivino José de Oliveira assumirá a pasta.
Pedido de ajuda federal e crise no BRB
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contatou Celina Leão para pedir a adesão do Distrito Federal à medida de subvenção do óleo diesel, destinada a mitigar os efeitos da guerra no Irã. A proposta prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, com a União e os Estados dividindo o benefício.
Celina Leão sinalizou positivamente e aproveitou a conversa para solicitar ajuda federal no plano de socorro ao BRB, pedindo que Caixa e Banco do Brasil comprem ativos da instituição. Ela também sugeriu que bancos públicos participem de um empréstimo ao Distrito Federal, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), para cobrir o rombo deixado pelo Master, que pode ultrapassar R$ 8 bilhões.
Até o momento, o governo federal tem evitado socorrer o Distrito Federal, considerando que a crise é responsabilidade do ex-governador Ibaneis Rocha, que liderou o plano de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Fonte: Estadão