Dólar sobe com tensão EUA; Ibovespa oscila com Fed e dados do Brasil

Dólar avança e Ibovespa oscila com tensão entre Trump e Fed nos EUA. Mercado acompanha falas de dirigentes do BC americano e dados econômicos do Brasil.
Dólar e Ibovespa — foto ilustrativa Dólar e Ibovespa — foto ilustrativa

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (12), com avanço de 0,02% por volta das 13h20, cotado a R$ 5,3661. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, oscilava entre altas e baixas na sessão, tendo queda de 0,02%, aos 163.336 pontos.

Os mercados iniciam a semana sob tensão, com ruídos entre a Casa Branca e o banco central dos Estados Unidos, elevando a cautela dos investidores. A agenda desta segunda-feira concentra falas de dirigentes do Fed e novos dados no Brasil.

Tensão entre Trump e Fed

Nos EUA, o presidente Donald Trump ameaça indiciar Jerome Powell, dirigente do BC americano, por declarações ao Congresso sobre um projeto de reforma de um edifício. Powell classificou a situação como parte de uma “pressão contínua do Governo” para interferir na política monetária.

Gráfico sobre a tensão entre Trump e Powell e seu impacto no mercado financeiro.
Ameaça de Trump ao Fed eleva tensão nos mercados globais.

Na véspera, Powell afirmou que a investigação representa mais uma tentativa do presidente de influenciar decisões do Fed e disse que não cederá à pressão. Com o quadro em tensão, os discursos de membros do Fed ganham destaque hoje, em meio à atenção ao rumo da política monetária.

Às 14h30, Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, abre a série de falas; às 14h45, Thomas Barkin, do Fed de Richmond, discursa; na sequência, John Williams, do Fed de Nova York, também se pronuncia.

O economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, afirmou que a ameaça de uma acusação criminal contra Powell reforça esses receios, embora espere que o Fed continue tomando decisões com base em dados econômicos.

“Obviamente, há mais preocupações de que a independência do Fed esteja em xeque, com as últimas notícias sobre a investigação criminal contra o presidente Powell realmente reforçando essas preocupações”, afirmou Hatzius.

As movimentações elevaram as preocupações do Mercado quanto à independência do banco central. Segundo o dirigente, o episódio está sendo usado como pretexto para ampliar a influência do governo sobre a política monetária, em especial para forçar cortes mais agressivos nos juros.

Jerome Powell, presidente do Fed, em discurso sobre a política monetária dos EUA.
Powell reafirma independência do Fed em meio a pressões políticas.

A disputa ganhou um novo capítulo nesta semana, quando o governo passou a citar formalmente a possibilidade de uma investigação criminal. A alegação é de que Powell teria prestado informações incorretas ao Congresso sobre os custos da reforma da sede do Fed. Powell nega as acusações e sustenta que o caso está sendo instrumentalizado politicamente.

Agenda econômica brasileira

No Brasil, a semana começou com a divulgação do Boletim Focus. A projeção para a inflação de 2026 foi reduzida de 4,06% para 4,05%, enquanto as estimativas para 2027, 2028 e 2029 permanecem estáveis em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente.

Segundo o levantamento — que reúne as previsões de analistas para os principais indicadores do país —, a estimativa para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, em 2026 recuou 0,01 ponto percentual, passando para 4,05%. A meta oficial de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Também na agenda doméstica, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, se reúne às 14h com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diretores da autoridade monetária para tratar do impasse envolvendo o Banco Master. No campo da política monetária, os analistas mantiveram a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, em março.

Gráfico ilustrativo de indicadores econômicos brasileiros, como IPCA e Selic.
Boletim Focus indica inflação e Selic sob controle.

Mercados globais em alerta

Os principais índices de Wall Street abriram em baixa nesta segunda-feira depois que o governo Trump renovou seus ataques ao Federal Reserve, alimentando novas preocupações sobre a independência do banco central dos EUA. Além disso, o anúncio de um teto de 10% para juros de cartões de crédito pesou sobre ações de bancos e financeiras.

O Dow Jones Industrial Average caía 0,01% na abertura, para 49.499,67 pontos. O S&P 500 tinha queda de 0,32%, para 6.944,12 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuava 0,40%, para 23.576,877 pontos.

Já as bolsas europeias operavam em leve queda após recentes recordes, pressionadas pelo impacto da proposta de limite para juros de cartões nos EUA sobre ações de bancos. O setor bancário liderava as perdas, com destaque para Barclays, que recuava mais de 3%. Por volta das 10h (horário de Brasília), o índice STOXX 600 caía 0,2%, enquanto os bancos cediam 0,4%.

Na Ásia, fecharam em alta, com destaque para os mercados chineses, que atingiram os maiores níveis da última década. O avanço foi impulsionado por ações ligadas à inteligência artificial e ao setor aeroespacial, apoiadas por volume recorde de negociações e perspectivas positivas para 2026. Em Hong Kong, as ações também subiram, acompanhando o otimismo regional.

Fonte: G1

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