O turismo enfrenta um cenário de retração global impulsionado por uma combinação de instabilidades geopolíticas e medidas restritivas em grandes centros urbanos. O setor, que historicamente consolidou-se como um pilar relevante da economia mundial, lida agora com desafios que vão além da recuperação pós-pandemia.
Impactos da instabilidade geopolítica
Conflitos regionais recentes impactaram diretamente a aviação civil, resultando no cancelamento de mais de 37 mil voos globais. A escalada de tensões elevou em mais de 100% os preços do querosene de aviação, insumo que representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Conforme dados da análise sobre o impacto do petróleo na inflação, a volatilidade nos preços dos combustíveis pressiona as margens do setor.
Desafios urbanos e regulação
Além dos custos operacionais, cidades como Veneza e Barcelona implementam medidas de contenção ao fluxo de visitantes. A pressão sobre a infraestrutura local e o aumento dos aluguéis residenciais, impulsionado por plataformas de locação de curta permanência, forçam governos a restringir o turismo de massa para proteger a população residente.
Dados do setor e desempenho brasileiro
Relatórios da Cirium indicam que o setor movimentou US$ 11,6 trilhões em 2025, equivalente a 9,8% do PIB global, sustentando 366 milhões de empregos. As projeções da ONU apontam para uma desaceleração generalizada no crescimento do turismo em 2025, com quedas expressivas em regiões como as Américas, que recuaram de 8% para 1% de expansão.
O Brasil apresentou um comportamento distinto no período, registrando um crescimento de 37% no número de chegadas de turistas internacionais, totalizando 9,3 milhões de visitantes e um faturamento de US$ 7,9 bilhões. Apesar do dinamismo observado, o cenário para o ano corrente ainda é de incerteza, com indicadores preliminares sugerindo um novo recuo na atividade turística nacional.
Fonte: Estadão