A Telefónica realizou uma profunda reestruturação na liderança da sua divisão de conteúdos, a Movistar Plus, com a destituição do conselheiro delegado Daniel Domenjó. A decisão, tomada apenas treze meses após a sua nomeação, foi oficializada pelo presidente executivo do grupo, Marc Murtra, durante uma sessão extraordinária do conselho de administração.
Mudança na estratégia de gestão
Para substituir Domenjó, a companhia designou Alfonso Gómez Palacio, um executivo com longa trajetória na empresa e responsável recente pelas operações da Telefónica Hispanoamérica. A escolha sinaliza uma mudança de direção, priorizando a gestão operacional e o controle financeiro em detrimento do perfil criativo que marcou a gestão anterior.
Embora a empresa não tenha detalhado os motivos oficiais, fontes do mercado indicam que a saída de Domenjó está ligada a divergências sobre a execução orçamentária e a política de aquisição de direitos de transmissão. A gestão de eficiência operacional, aplicada com sucesso por Gómez Palacio na América Latina, deve ser agora o foco central da plataforma de streaming.
Contexto de poder e mercado
A movimentação ocorre em um cenário de transformações na governança da Telefónica, que conta com a participação estatal através da SEPI. Desde a chegada de Marc Murtra à presidência em 2025, a estrutura de comando da divisão audiovisual tem passado por constantes alterações, gerando incertezas sobre a continuidade de projetos de produção original.
Apesar da instabilidade na cúpula, a Movistar Plus apresentou resultados positivos no último ano, registrando um crescimento de 7,9% na base de clientes, totalizando 3,8 milhões de usuários. O novo CEO terá o desafio de manter esse desempenho enquanto busca otimizar custos em um mercado altamente competitivo, enfrentando a pressão de gigantes globais do setor de entretenimento.
Fonte: Elpais