Um ano após a implementação das tarifas pelo governo de Donald Trump, a promessa de resgatar a indústria norte-americana e trazer de volta empregos e fábricas não se concretizou como esperado. A Casa Branca argumentou que os custos adicionais eram necessários para reverter décadas de declínio industrial, mas os resultados até agora são modestos.


O impacto na indústria e empregos
Desde a posse de Trump, a indústria dos EUA eliminou cerca de 100 mil postos de trabalho, enquanto o restante da economia criou 300 mil. O índice de gerentes de compras, um indicador da atividade industrial, sugere que o setor passou a maior parte do ano passado em recessão, com uma melhora recente, mas ainda sem um crescimento robusto.
A produção de bens manufaturados retornou aos níveis de anos anteriores, impulsionada por setores específicos como aeroespacial, computadores e eletrônicos (beneficiados pela Lei CHIPS) e farmacêutico (com o boom de medicamentos para obesidade). No entanto, esses avanços não refletem um renascimento industrial generalizado.
Desafios e incertezas para os fabricantes
A complexidade e a instabilidade geradas pelas tarifas representam um obstáculo significativo. Fabricantes relatam que manter a conformidade com as novas regras consome horas de trabalho que poderiam ser dedicadas ao crescimento do negócio. A incerteza sobre a permanência das tarifas e a possibilidade de novas isenções ou mudanças legais tornam o planejamento de contratações, gastos e investimentos um desafio.
A relocalização de fábricas, um processo que pode levar de cinco a dez anos, torna-se ainda mais arriscada em um cenário de políticas comerciais voláteis. Apenas uma pequena porcentagem de fabricantes está considerando trazer suas operações de volta aos EUA, e a instabilidade regulatória pode inviabilizar projetos que dependem da continuidade das tarifas.
Tarifas sobre insumos e a complexidade da cadeia produtiva
Um segundo problema reside nas tarifas sobre insumos. Mesmo empresas que produzem a maior parte de seus produtos nos EUA dependem da importação de componentes. As tarifas sobre matérias-primas como aço prejudicam exportadores e aumentam os custos de produção, dificultando a competição com fabricantes estrangeiros.
A abordagem de isenções tarifárias para setores mais influentes, embora possa apaziguar alguns grupos, mina a lógica geral da guerra comercial e reduz o incentivo para a relocalização. A busca por autossuficiência industrial enfrenta o desafio de reconstruir cadeias de suprimentos complexas, um processo que levará anos.
Perspectivas futuras
Um ano após o lançamento das tarifas, o cenário industrial dos EUA permanece incerto. Embora alguns setores específicos mostrem sinais de recuperação, a falta de um crescimento generalizado e a persistente instabilidade regulatória levantam dúvidas sobre a eficácia da política tarifária em revitalizar a indústria nacional. Histórias de sucesso industrial recentes nos EUA estão mais ligadas a setores como data centers e gás natural liquefeito, que operam em grande parte fora do escopo das tarifas.
Fonte: UOL