A Agência de Serviços Financeiros do Japão (FSA) iniciou uma avaliação dos riscos que os recentes problemas envolvendo crédito privado representam para os principais bancos nacionais.
Problemas emergentes com crédito privado, como a falência de tomadores de empréstimos financiados por esses fundos, levaram o órgão regulador a investigar o impacto potencial no sistema financeiro japonês.
A questão do crédito privado também poderá ser debatida durante a reunião dos ministros das finanças e dos governadores dos bancos centrais do G7 e do G20 nos Estados Unidos na próxima semana.
Crédito privado ganha espaço após crise de 2008
O crédito privado ganhou força após a crise financeira global de 2008, quando regras de capital mais rígidas tornaram os bancos mais avessos ao risco. Instituições financeiras não bancárias, como fundos de investimento e seguradoras, começaram a conceder empréstimos a empresas com baixa classificação de crédito, e o volume desses empréstimos se expandiu nos últimos anos.
Empresas e fundos enfrentam turbulência
Os tomadores de empréstimos geralmente são pequenas e médias empresas com perfis de crédito frágeis. Embora os fundos de crédito privado possam ser difíceis de resgatar, os investidores podem obter altos rendimentos. Alguns observam que o crédito privado carece de transparência suficiente nas práticas de empréstimo e nos padrões de avaliação.
Recentemente, a turbulência se espalhou pelo mercado de crédito privado, especialmente nos Estados Unidos. O número de mutuários forçados a renegociar os termos de pagamento devido ao agravamento das condições de mercado aumentou consideravelmente. No Reino Unido, a empresa de crédito imobiliário Market Financial Solutions entrou em colapso.
Na empresa de investimentos americana Blackstone, o aumento nos pedidos de resgate levou alguns fundos a impor limites temporários de saque. Situações semelhantes foram relatadas na BlackRock e no Morgan Stanley.
Bancos monitoram efeitos indiretos
Os bancos também estão envolvidos, pois concedem empréstimos a fundos que investem em crédito privado. O presidente do Banco Central dos Estados Unidos (Fed), Jerome Powell, afirmou estar monitorando se algum efeito indireto atingirá o sistema bancário.
Jamie Dimon, executivo-chefe (CEO) do JPMorgan Chase, o maior banco dos Estados Unidos, alertou que, quando o ciclo de crédito inevitavelmente se inverter, as perdas serão maiores do que o esperado.
Embora poucos observadores prevejam uma crise financeira generalizada, a FSA determinou a necessidade de identificar os riscos detidos pelas instituições financeiras nacionais em um estágio inicial.
Fonte: Globo