Combustíveis sobem em 80% dos postos espanhóis apesar de corte de IVA

Gasolina e diesel seguem mais caros em 80% dos postos espanhóis, mesmo com corte de IVA. Entenda os motivos e a variação de preços.

A gasolina está mais cara do que antes do início da guerra no Oriente Próximo em quatro de cada cinco postos de combustível espanhóis. O diesel, em todos eles. Os consumidores que abasteceram durante a Semana Santa, o período de maior movimento nas estradas do ano, encontraram os combustíveis mais caros do que antes do conflito. A gasolina estava 5% mais cara e o diesel 30% mais caro em comparação com 27 de fevereiro. Os preços atingiram picos recentes, com a gasolina subindo 23% e o diesel 37%, sendo contidos apenas pela redução fiscal implementada pelo governo em 20 de março, que diminuiu o IVA dos combustíveis de 21% para 10%.

Variação de preços por posto

A análise de registros de mais de 11.000 postos de combustível ao longo de um mês, realizada pelo EL PAÍS, indica que em metade dos estabelecimentos a gasolina 95 custa 5 cêntimos a mais por litro. Em 30% dos postos, o aumento é de 10 cêntimos. Entre os poucos locais onde o preço diminuiu, a redução média foi de cerca de 2 cêntimos por litro.

O preço do diesel subiu em todos os postos e de forma mais acentuada que o da gasolina. Isso se deve, em parte, à maior dependência da Europa em relação às importações de diesel e à demanda menos flexível de setores como transporte e indústria, tornando o diesel mais vulnerável a crises. Em quase todos os postos, o diesel subiu pelo menos 25 cêntimos, e em metade deles, mais de 35 cêntimos.

Impacto da crise geopolítica e fiscal

O aumento nos preços do diesel e da gasolina é uma consequência direta da valorização do barril de Brent, referência para o petróleo na Europa. Desde que o Irã impediu a passagem de navios petroleiros pelo estreito de Ormuz, em retaliação a ataques dos Estados Unidos e Israel, o Brent subiu cerca de 50%. Na Espanha, os dados da CNMC mostram que o preço da gasolina antes de impostos aumentou 37%, enquanto o do diesel subiu quase 60%.

A intervenção do governo ocorreu com a redução do IVA sobre os combustíveis de 21% para 10%, a partir de 21 de março. Nesse dia, o preço médio do litro de gasolina 95 nos postos caiu de 1,80 para 1,61 euros, representando uma economia de cerca de 10,50 euros em um tanque de 55 litros. O diesel passou de 1,94 para 1,79 euros por litro.

Histórico e fatores de mercado

Em 2022, para mitigar os efeitos da crise na Ucrânia, o governo já havia implementado uma redução de 20 cêntimos por litro. Na ocasião, os postos de combustível aumentaram o preço da gasolina em 0,7 cêntimos e o do diesel em 3,52 cêntimos, segundo análise da EsadeEcPol. Manuel Hidalgo, um dos autores do estudo, sugere que em mercados com baixa concorrência, a redução de impostos pode levar a um aumento no preço antes de impostos para capturar parte dessa redução, embora outros fatores também possam influenciar.

Durante a anterior grande alta do barril de Brent, após a invasão russa da Ucrânia, o petróleo chegou a custar US$ 127,98. O diesel atingiu 1,30 euros por litro antes de impostos, um nível semelhante ao atual. Desde então, o Brent caiu para valores próximos aos de 2020, mas a gasolina e o diesel mantiveram-se entre 15% e 20% acima do preço do petróleo. A Rússia, um grande exportador de ambos os combustíveis, praticamente desapareceu do mercado europeu devido a sanções internacionais, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima. Fatores como custos trabalhistas, que são resistentes a crises pontuais, também influenciam o processo de refino do petróleo em produtos acabados, impedindo que os preços retornem completamente ao ponto de partida.

Fonte: Elpais

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