O eurodeputado Christophe Grudler, relator das negociações sobre a lei “Made in Europe” no Parlamento Europeu, defende que a preferência por produtos e serviços locais seja limitada a países geograficamente próximos ao bloco. A proposta, desenhada para proteger setores estratégicos como tecnologias limpas, indústria automotiva e siderurgia, enfrenta um impasse sobre quais nações estrangeiras devem ser incluídas no escopo da medida.
Critérios de proximidade e acordos comerciais
Grudler argumenta que a legislação deve priorizar países do Espaço Econômico Europeu, como Islândia, Liechtenstein e Noruega. A Suíça também é apontada como candidata viável devido ao acordo de compras públicas vigente desde 1989. O parlamentar sugere que a inclusão do Reino Unido ainda exige análise detalhada das condições pós-Brexit.
A iniciativa busca fortalecer a resiliência da economia europeia contra práticas de mercado consideradas desleais. O debate ganha relevância em um cenário onde a Polônia exerce maior influência no debate econômico global do G20, pressionando por proteção às indústrias locais frente à concorrência externa.
Confronto com a proposta da Comissão Europeia
A Comissão Europeia, em sua proposta apresentada em março, incluiu uma definição ampla de parceiros comerciais, gerando críticas de Grudler. Para o parlamentar, a visão da Comissão ignora a necessidade de uma postura mais firme, citando a política de compras governamentais dos Estados Unidos como exemplo a ser seguido.
O setor industrial europeu, especialmente os segmentos de aço e alumínio, enfrenta pressões crescentes devido ao excesso de capacidade produtiva de competidores globais, como a China. A legislação é vista como fundamental para evitar que subsídios estrangeiros destruam a competitividade das empresas europeias e garantam a soberania estratégica.
Fonte: Euronews