O Papa Francisco desembarcou na Argélia nesta segunda-feira, dando início a uma jornada de 11 dias por quatro nações africanas. A viagem, que também inclui paradas em Camarões, Angola e Guiné Equatorial, tem como um de seus objetivos promover o diálogo inter-religioso.
Esta visita histórica marca a primeira vez que um papa viaja à Argélia, um país de maioria muçulmana. Segundo o Arcebispo de Argel, Jean-Paul Vesco, o pontífice busca “construir pontes entre os mundos cristão e muçulmano”. Uma pequena comunidade católica, estimada em cerca de 9.000 pessoas (a maioria estrangeiros), vive no país, que possui uma população de 47 milhões de habitantes predominantemente muçulmanos.
O ambiente em Argel foi de expectativa, com preparativos visíveis para receber o líder religioso. A visita também é uma homenagem ao legado de Santo Agostinho, teólogo do século IV nascido na antiga Hippo Romana, hoje Annaba. O Papa Francisco, membro da Ordem de Santo Agostinho há quase cinco décadas, frequentemente cita os escritos do santo.
Homenagem e contexto histórico
Durante sua estadia, o Papa Francisco prestará homenagem às vítimas da Guerra de Independência da Argélia contra a França (1954-1962), um conflito que resultou na morte de centenas de milhares de pessoas, com estimativas oficiais argelinas apontando para 1,5 milhão de vítimas, a maioria civis e combatentes locais.
A constituição argelina reconhece oficialmente “religiões diferentes do Islã” e permite o culto público, mas grupos de direitos humanos relatam persistência de repressão. Na semana anterior à visita, três organizações de direitos humanos pediram ao Papa Francisco que abordasse essa questão durante sua permanência.
O crescimento do catolicismo na África
A África tem sido um continente de forte expansão para a Igreja Católica. Dados recentes do Vaticano indicam que o continente respondeu por mais da metade das 15,8 milhões de pessoas batizadas na Igreja Católica em 2023. O crescimento da fé católica na África supera o crescimento populacional geral, com mais de 288 milhões de católicos registrados em 2024.
A Igreja Católica no continente africano enfrenta desafios significativos, incluindo a conciliação da doutrina católica sobre o casamento monogâmico com normas culturais de poligamia. Rivalidades étnicas também se apresentam como um obstáculo, especialmente na nomeação de bispos em regiões com diversidade étnica, onde algumas indicações já foram rejeitadas por padres e fiéis locais.
Fonte: Dw