NR-1: Empresas se preparam para nova regra de saúde mental no trabalho

Nova NR-1 exige mapeamento de riscos psicossociais e saúde mental no trabalho a partir de 26 de maio. Empresas se preparam para adequação.

A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) entra em vigor em 26 de maio, exigindo que empresas mapeiem e gerenciem riscos psicossociais. A atualização abrange o monitoramento de sobrecarga, saúde mental, falta de suporte, pressão excessiva, ambiente tóxico e assédio no trabalho. Anteriormente, a fiscalização focava em acidentes de trabalho e doenças.

Entidades do varejo pedem mais prazo, alegando falta de parâmetros técnicos para medir os riscos psicossociais. Em contrapartida, especialistas e empresas que já implementaram as mudanças apontam benefícios. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirmou que a norma deve começar a valer na data prevista, com o ministro Luiz Marinho afirmando que a auditoria visa aperfeiçoar os ambientes de trabalho.

O que muda com a NR-1?

As empresas deverão apresentar anualmente o Programa de Gerenciamento de Risco (PGR), incluindo inventário de risco, plano de ação e critérios de avaliação. Serão necessários registros que comprovem a gestão contínua dos riscos, como treinamentos e medidas de prevenção. O MTE orienta a identificação, avaliação, controle e monitoramento de perigos psicossociais.

Em caso de descumprimento, as multas variam de R$ 1,7 mil a R$ 5,2 mil por item não cumprido, podendo gerar múltiplas autuações. O MTE não definiu um modelo único de documento nem metodologia padronizada para medir os riscos psicossociais, o que gerou críticas de alguns setores, como o Sindicato do Comércio Varejista de São Paulo (Sindilojas-SP).

André Fusco, consultor em saúde mental no trabalho, considera a atualização tecnicamente correta, mas aponta o despreparo de muitas empresas. Ele sugere que a norma é uma transição e que a adaptação levará tempo, sendo uma atualização moderna para a forma atual de trabalhar.

Empresas se preparam para a nova norma

Na Vockan, empresa de tecnologia com 138 funcionários, a implementação das exigências da NR-1 não gerou custos adicionais nem resistência. A empresa já adotava ações preventivas para manter um ambiente saudável, como a semana de quatro dias e treinamentos de liderança. A Vockan contratou uma empresa terceirizada de medicina do trabalho para auxiliar no cumprimento das exigências.

A Heineken, com mais de 12 mil funcionários, concentrou a adequação na formalização de processos, incluindo avaliações ergonômicas. A diretora Aline Mello afirma que a principal mudança foi o registro, pois as demais ações já eram realizadas. O treinamento de liderança da empresa abrange ciência da felicidade, segurança psicológica e autoconhecimento.

Atestados de afastamento por saúde mental ocupam o 8º lugar na Heineken, com tendência de diminuição nos últimos anos. André Fusco prevê que as fiscalizações priorizem empresas com maior número de afastamentos registrados no INSS. Ele também não descarta a possibilidade de um novo adiamento do prazo, mas considera que o controle de assédio moral ainda precisa de maior aprofundamento.

Riscos psicossociais considerados pelo MTE

A atualização da NR-1 expandiu a lista de riscos psicossociais avaliados pela fiscalização do trabalho. Itens como iluminação inadequada, falta de clareza de função e baixo reconhecimento agora são considerados. A lista completa inclui:

  • Assédio de qualquer natureza no trabalho
  • Baixa clareza de papel/função
  • Baixas recompensas e reconhecimento
  • Falta de suporte/apoio no trabalho
  • Baixo controle no trabalho/falta de autonomia
  • Eventos violentos ou traumáticos
  • Exigência de múltiplas tarefas com alta demanda cognitiva
  • Exigência de uso de força, preensão, pressão, torção dos segmentos corporais
  • Posturas extremas/forçadas
  • Exigência de movimentos repetitivos
  • Movimentação manual de cargas
  • Arranjo físico, leiaute ou mobiliário inadequado
  • Equipamentos/ferramentas sem meios de regulagem de ajuste ou sem condições de uso
  • Manuseio de ferramentas pesadas
  • Iluminação inadequada
  • Desconforto térmico
  • Desconforto acústico

Fonte: Estadão

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