A líder do partido de oposição Kuomintang (KMT) de Taiwan, Cheng Li-wun, iniciou uma visita à cidade chinesa de Nanjing, marcada por simbolismo histórico. Cheng é a primeira líder do KMT a visitar a China em uma década, em um contexto de tensões crescentes com Pequim.






Cheng foi convidada para a China pelo presidente Xi Jinping em março. A visita ocorre em um momento delicado, com Pequim considerando Taiwan uma província separatista que deve ser reunificada, inclusive com o uso da força, se necessário.
Peso da história na visita
A divisão entre China e Taiwan remonta à Guerra Civil Chinesa. Nanjing foi a capital do governo da República da China, liderado pelo KMT, antes de se retirar para Taiwan em 1949. Taiwan mantém oficialmente o nome de República da China (ROC).
Em Nanjing, Cheng visitou o mausoléu de Sun Yat-sen, fundador do KMT, figura reverenciada em ambos os lados do Estreito de Taiwan. Ela destacou o progresso e desenvolvimento vistos na China continental, ao mesmo tempo em que reconheceu o período de lei marcial imposta pelo KMT em Taiwan.
Tensões elevadas no Estreito de Taiwan
As relações entre China e Taiwan deterioraram-se desde 2016, quando a presidente Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), assumiu o poder e rejeitou as reivindicações de Pequim. Desde então, a China intensificou exercícios militares ao redor de Taiwan, e recusa-se a dialogar com o atual presidente taiwanês, Lai Ching-te, a quem classifica como “separatista”.
Líder do KMT clama por ‘paz’
Cheng Li-wun buscou minimizar as tensões durante sua visita, afirmando que “os dois lados do Estreito de Taiwan não estão fadados à guerra”. Ela expressou esperança em “plantar as sementes da paz” e promover a “reconciliação e unidade” para a prosperidade regional.
Em contrapartida, o diretor-geral do Bureau de Segurança Nacional de Taiwan, Tsai Ming-yen, alertou que a China utiliza intimidação militar para criar um clima de perigo e instabilidade, visando gerar pressão psicológica e dividir a sociedade taiwanesa.
Partido governista de Taiwan critica visita
O porta-voz do DPP, Wu Cheng, criticou a visita de Cheng, sugerindo que o KMT deveria focar em garantir a paz através da “própria força de Taiwan”, em vez de depender da “caridade de ditadores”. O governo de Lai Ching-te defende que Pequim cesse sua agressão militar e respeite o direito do povo taiwanês de escolher seu futuro.
Fonte: Dw