O economista Joseph Stiglitz, laureado com o Nobel de Economia, afirma que os níveis atuais de desigualdade superam os registrados no final do século XIX. De acordo com o especialista, o acúmulo de capital por figuras como Elon Musk e Jeff Bezos carece de precedentes históricos, carregando uma influência política que, segundo ele, pressiona as instituições democráticas modernas.
O papel da ideologia econômica no Vale do Silício
Stiglitz identifica um contraste entre os grandes empresários do passado e a elite atual do Vale do Silício. O economista descreve a ideologia predominante no setor como um egoísmo que ignora a relevância do investimento público em inovação. Segundo o Nobel, tecnologias como a internet foram fundamentais para o desenvolvimento global e surgiram majoritariamente de financiamento estatal, contrariando a tese de exclusividade de iniciativas privadas.
Dados apontam que, nos últimos 25 anos, metade da população mundial recebeu apenas 1% da riqueza global criada. Esse movimento reforça a preocupação com a formação de uma plutocracia hereditária, acelerada pela transferência massiva de ativos entre gerações.
Propostas para equilíbrio fiscal e regulação
Para mitigar a desigualdade, Stiglitz defende a adoção de um imposto mínimo global de 2% sobre o patrimônio. O economista classifica a medida como necessária para combater a evasão fiscal, embora admita que a resistência de grupos de interesse dificulta a implementação de políticas sobre investimentos e tecnologia.
O especialista propõe medidas adicionais para proteger a integridade informativa e democrática:
- Limitação do financiamento privado em campanhas eleitorais.
- Reforço de sistemas de radiodifusão pública e jornalismo investigativo.
- Exigência de compensação financeira por redes sociais e empresas de inteligência artificial pelo uso de conteúdo jornalístico.
Stiglitz ressalta que a dependência de plataformas estrangeiras fragiliza a soberania econômica e democrática. O economista defende a criação de ecossistemas independentes como pilar para manter uma economia equilibrada.
Fonte: Elpais