A recente onda de resgates em gestoras nos Estados Unidos evidencia falhas no desenho de veículos de investimento, segundo análise da JGP. A discrepância entre o valor patrimonial dos fundos e o preço de negociação das cotas em Bolsa gera incentivos para saques, impactando a estabilidade da classe de ativos.
O cenário é monitorado por lideranças do sistema financeiro. Jamie Dimon, do JPMorgan, compara os excessos recentes a períodos que antecederam a crise de 2008, enquanto Howard Marks, da Oaktree, aponta comportamentos psicológicos de mercado como motores das distorções atuais.
Veículos de varejo no centro da tensão
A instabilidade concentra-se em fundos listados em bolsa que operam em modelo híbrido. A possibilidade de resgates trimestrais, somada à queda do valor de mercado das cotas abaixo do patrimonial, forçou gestoras como Apollo, Blackstone e Blue Owl a restringirem retiradas de capital.
Diferente do modelo americano, o mercado brasileiro conta com um arcabouço regulatório mais rígido. A Comissão de Valores Mobiliários exige administradores independentes para a marcação de ativos, reduzindo riscos de desalinhamento de preços mesmo em cenários complexos como os observados em casos de reestruturação de dívida.
Diferenças estruturais entre mercados
Após 2008, a indústria de crédito privado norte-americana expandiu-se ao ocupar o espaço deixado pelos bancos tradicionais. Especialistas indicam que, apesar dos problemas em veículos de varejo, a classe de ativos mantém solidez para financiamentos de longo prazo, desde que haja alinhamento entre prazos de ativos e passivos.
Fonte: Infomoney