O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira em queda de 1,65%, aos 192.889 pontos, após oscilar entre 192.687 e 196.132 pontos. A bolsa local registrou um movimento de realização de lucros considerado tardio, influenciado pelo feriado de Tiradentes que manteve o mercado brasileiro fechado na véspera. Índices acionários de países emergentes e americanos já haviam apresentado correções no dia anterior. O desempenho negativo do Ibovespa foi acentuado pelas perdas em ações de grandes empresas (blue chips), com exceção da Petrobras. As ações preferenciais da Petrobras avançaram 1,38% e as ordinárias subiram 1,86%, acompanhando a alta nos preços do petróleo. Em contrapartida, as ações ordinárias do Banco do Brasil lideraram as desvalorizações, com queda de 3,62%. As ações da Vale também recuaram 1,70%. A forte queda nos papéis de bancos sugere um fluxo estrangeiro desfavorável para a bolsa local. A melhora nas expectativas de lucro para empresas de tecnologia americanas tem atraído capital de investidores, possivelmente desviando recursos que poderiam ir para ações brasileiras. Dados recentes da B3 indicam que investidores estrangeiros registraram retiradas líquidas do mercado secundário por três sessões consecutivas, interrompendo uma sequência anterior de aportes. Enquanto isso, as bolsas americanas apresentaram um dia positivo, impulsionadas por ações de tecnologia. O Nasdaq ganhou 1,64%, o S&P 500 subiu 1,05% e o Dow Jones avançou 0,69%. Analistas apontam que o mercado americano é sustentado por uma economia resiliente e pelo desempenho de grandes empresas de tecnologia, enquanto o Ibovespa é mais concentrado em commodities e setores sensíveis ao ciclo econômico doméstico, como bancos e consumo. Estrategistas indicam que o Ibovespa está em processo de realização de lucros, com suportes identificados em 184.300 e 188.100 pontos, o que mantém a tendência de alta no curto prazo. A máxima de 199.354 pontos é vista como um gatilho para a retomada da alta em direção aos 200 mil pontos. O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 20,4 bilhões. Em relação às projeções futuras, a equipe de estratégia do Bank of America (BofA) elevou a projeção para o Ibovespa no fim do ano de 180 mil para 210 mil pontos, antecipando uma desescalada do conflito no Oriente Médio. Essa perspectiva considera a possibilidade de queda nos preços do petróleo, alívio na pressão sobre custos e a manutenção da Selic em níveis mais baixos. O preço sobre lucro do Ibovespa pode atingir 11,3 vezes, acima da média histórica de 10,8 vezes, refletindo entradas de fluxo estrangeiro em mercados emergentes.
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