O setor de imóveis comerciais tem passado por transformações significativas, impulsionadas pelo crescimento do e-commerce e pela ascensão do trabalho remoto. Agora, a inteligência artificial (IA) surge como uma nova força disruptiva.






Embora o impacto da IA seja sentido em diversos setores, o mercado imobiliário comercial pode não parecer imediatamente suscetível a disrupções. No entanto, empresas de serviços imobiliários comerciais enfrentam o desafio de convencer clientes sobre a necessidade de manter o mesmo número de profissionais para realizar tarefas que antes exigiam mais mão de obra, como negociação de contratos de aluguel de escritórios ou gestão de investimentos.
Recentemente, as ações de grandes empresas de serviços imobiliários comerciais, como CBRE, Jones Lang LaSalle e Cushman & Wakefield, sofreram quedas expressivas devido ao receio de que a IA possa substituir funções em setores de conhecimento.
Investimentos mais inteligentes?
A possibilidade de um modelo de IA tomar decisões de investimento superiores às humanas foi explorada em pesquisas acadêmicas, levando à criação de empresas como a Apers AI. Esta companhia utiliza um sistema de IA especializado para auxiliar em decisões de investimento no setor imobiliário institucional e comercial.
Para grandes investidores institucionais, a análise de milhares de potenciais negócios para identificar as melhores oportunidades de investimento, antes realizada por equipes extensas de corretores e consultores, agora pode ser executada em tempo recorde por modelos de IA.
Segundo especialistas, a IA está automatizando mais de 90% dessas decisões, funcionando como um comitê de investimento.
Outros impactos da IA
Apesar do potencial disruptivo, a visão predominante no setor é que a IA representa uma oportunidade, e não apenas uma ameaça. Empresas que demorarem a se adaptar aos benefícios da tecnologia podem enfrentar dificuldades.
A IA está sendo vista como uma arma competitiva, especialmente na capacidade de refinar decisões de investimento. Análise de tendências de mercado, modelagem de risco, otimização de portfólio e avaliação automatizada estão entre as principais aplicações em desenvolvimento.
O impacto da IA no mercado imobiliário comercial também se estende à crescente demanda por data centers, impulsionada pela necessidade de poder computacional para a IA. Isso tem gerado um boom na construção desses centros de dados.
Adicionalmente, empresas de tecnologia estão aumentando a locação de espaços de escritório, o que contrabalanceia outras tendências como o trabalho remoto. O setor de tecnologia foi responsável por cerca de 20% das locações de escritórios nos EUA no primeiro semestre de 2025, o dobro de 2022, revertendo tendências de vacância em cidades como Nova York e São Francisco.
Conexão humana e o futuro
A ascensão da IA no setor imobiliário comercial é vista mais como um “upgrade” que aloca capital de forma mais eficiente, e não como uma substituição completa dos modelos existentes. O capital tende a fluir para as soluções mais eficientes.
A ideia de que a inovação em IA levará a uma menor demanda por espaços de escritório é relativizada. O valor do setor imobiliário está ligado ao seu melhor e mais alto uso, e a demanda evolui conforme as necessidades mudam, buscando o melhor retorno para os investidores.
A transformação do setor pela IA está apenas em seus estágios iniciais. Mudanças mais profundas, em nível de paradigma, deverão se tornar aparentes a partir de 2030, após um período de redesenho de fluxos de trabalho e disrupção de modelos de negócio.
No entanto, muitos acreditam que, mesmo com essas mudanças, o mercado imobiliário comercial continuará sendo um setor onde as relações humanas e a confiança desempenham um papel crucial. Empresas do setor possuem dados proprietários e uma natureza interpessoal que não se espera que mudem drasticamente na era da IA.
Fonte: Dw