A vila ucraniana de Velyka Dobron, próxima à fronteira com a Hungria, vive um clima de apreensão. Com a maioria de seus habitantes sendo de etnia húngara, a comunidade se encontra em uma posição delicada devido às tensões políticas entre os dois países.






Sandor Rati, dono de uma oficina de carpintaria, relata o desânimo na vila. Muitos moradores deixaram o local em busca de oportunidades no exterior, e ele enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores. A recente convocação de seu filho para o exército ucraniano aumentou a preocupação da família.
Retórica Nacionalista e Impacto Local
A retórica nacionalista e anti-ucraniana do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, tem gerado preocupações entre os húngaros que vivem na Ucrânia. Acusações de que a minoria húngara na Ucrânia estaria sendo privada de seus direitos e que sofreria ataques de nacionalistas ucranianos circulam em plataformas de mídia social, especialmente em período eleitoral.
No entanto, a realidade local parece ser diferente. Moradores e autoridades da região de Transcarpatia afirmam não sofrer discriminação e negam ataques de grupos nacionalistas. O prefeito Ferenc Nagy classificou como “dolorosos” os comentários que descrevem a Ucrânia como um “estado mafioso”, defendendo que os políticos deveriam focar em resultados em vez de difamação.
Declínio Populacional e Busca por Paz
A vila de Velyka Dobron, que já abrigou mais de 6.000 habitantes, hoje conta com apenas 2.000. O êxodo, intensificado desde a invasão russa em 2022, levou muitos homens a buscar trabalho no exterior, seguidos por suas famílias. A comunidade húngara em Transcarpatia, que em 2001 somava cerca de 150.000 pessoas, hoje é estimada em 80.000.
Apesar das divergências políticas e da situação delicada, o desejo comum entre ucranianos e húngaros na região é a paz. Pesquisas indicam que a maioria dos húngaros se sente patriota tanto em relação à Hungria quanto à Ucrânia. Especialistas apontam a necessidade de um maior reconhecimento da comunidade húngara por parte do estado ucraniano, destacando a participação de húngaros nas forças armadas.
Fonte: Dw