O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou nesta quinta-feira (23) a publicação de conteúdos satíricos sobre figuras públicas, citando como exemplo a possibilidade de retratar o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) de forma ofensiva. Mendes questionou se seria apropriado criar bonecos de Zema retratando-o como homossexual ou simulando roubo de dinheiro público, argumentando que tais representações podem ser consideradas ofensivas.
A declaração de Gilmar Mendes surge em meio a uma escalada de trocas de farpas entre o ministro e o ex-governador de Minas Gerais. Na semana anterior, Zema divulgou um vídeo com fantoches representando os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli discutindo o caso do Banco Master. Em resposta, Mendes solicitou ao STF a inclusão de Zema no inquérito das fake news, alegando que o ex-governador havia “vilipendiado a honra e a imagem do Supremo Tribunal Federal e a minha própria”.
Zema reagiu às declarações de Mendes, classificando-as como “inacreditáveis” e acusando o ministro de “extrapolar os limites”. O ex-governador também compartilhou uma publicação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), questionando se a situação seria classificada como homofobia.
Durante a entrevista, Gilmar Mendes afirmou que não se opõe a críticas gerais feitas por Zema e pelo partido Novo, mas ressaltou que o Estado de Direito deve intervir quando houver ofensas que justifiquem uma resposta judicial. O ministro também ironizou o modo de falar de Zema em entrevistas anteriores, comparando seu dialeto a uma língua estrangeira e sugerindo que suas declarações eram “ofensivas” e “pouco próprias”, possivelmente aproveitando o momento eleitoral.
Em contrapartida, Zema criticou o que chamou de “português esnobe dos intocáveis de Brasília”, atribuindo a dificuldade de compreensão de suas falas à diferença entre o “linguajar de brasileiros simples” e o dos ministros do STF. O ex-governador acusou Mendes de recorrer ao “autoritarismo para censurar aqueles que criticam o comportamento de ministros do Supremo”.
Fonte: Globo