A relação entre Turquia e Armênia, marcada por mais de um século de inimizade e com fronteiras terrestres fechadas desde 1993, mostra sinais de uma cautelosa reaproximação. O fechamento ocorreu em meio ao conflito de Nagorno-Karabakh, no qual a Turquia apoiou o Azerbaijão, adversário da Armênia.






Desde 2022, um processo de distensão tem sido observado. A Armênia deixou de insistir no reconhecimento dos eventos de 1915 como genocídio, e um acordo de paz com o Azerbaijão encerrou décadas de guerra pela região de Nagorno-Karabakh. Esses desenvolvimentos abrem perspectivas para a normalização das relações e a reabertura das passagens de fronteira, Alican e Akyaka, que estão inativas há mais de trinta anos.
Novas Perspectivas com Acordo de Paz
A expectativa é que a reabertura das fronteiras ocorra nos próximos meses. Relatos da mídia armênia indicam que o governo já realizou os preparativos necessários, enquanto do lado turco, os trabalhos avançam em estágio avançado. A concretização antes das eleições parlamentares armênias em junho seria uma vitória significativa para o primeiro-ministro Nikol Pashinyan, que tem buscado a reconciliação com a Turquia e a aproximação do país com o Ocidente.
Rota Comercial Alternativa e Impacto Econômico
Atualmente, o comércio entre Turquia e Armênia, estimado em US$ 300-350 milhões anuais, é realizado indiretamente através da Geórgia. Predominantemente, trata-se de vestuário, produtos químicos, alimentos e metais preciosos. Com a fronteira aberta, estima-se que o volume de comércio bilateral possa alcançar rapidamente um bilhão de dólares. Há também a expectativa de construção de corredores logísticos, incluindo linhas de energia e telecomunicações, conectando diretamente o Cáucaso.
No entanto, a expansão da guerra no Irã e seus efeitos em países como Líbano e Iraque geraram temores de uma nova onda migratória, o que desacelerou o progresso nos planos de abertura da fronteira terrestre entre Armênia e Turquia.
Otimismo Turístico e Corredor de Transporte
As províncias orientais da Turquia, como Kars e Igdir, próximas à fronteira com a Armênia, são historicamente pobres e esperam um impulso econômico com a abertura. A expectativa é de aumento no fluxo de bens, pessoas e, especialmente, turistas, dada a presença de importantes sítios históricos e religiosos no lado turco. A abertura é vista como uma oportunidade para o desenvolvimento do turismo na região.
A importância do chamado Corredor Trump, parte do plano de paz entre Armênia e Azerbaijão, também é destacada. Este corredor visa fortalecer a Rota de Transporte Internacional Trans-Cáspio, reduzindo tempos de transporte entre China e Europa e posicionando a Turquia como um ator chave no comércio global. A construção de um trecho ferroviário de 224 quilômetros já foi iniciada.
Moradores de províncias vizinhas, como Ardahan, também nutrem esperanças de criação de novas instalações produtivas e empregos com a aproximação. Acredita-se que o fim da guerra no Irã permitirá que a região floresça como um centro de negócios e turismo. A esperança é que produtos como alimentos, materiais de construção, têxteis e serviços voltem a cruzar a fronteira, assim como os famosos damascos doces de Igdir.
Fonte: Dw