A crise energética global representa o maior risco para a segurança energética da história, com implicações significativas para a economia mundial. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), alerta que a magnitude do problema, agravada pelo bloqueio do estrecho de Ormuz e a retirada de milhões de barriles de petróleo do mercado, supera as crises energéticas das décadas de 1970 e a recente escassez de gás russo.
Impacto em Cadeias de Suprimentos e Inflação
O impacto da crise não se restringe ao petróleo e gás natural. Produtos essenciais como fertilizantes, petroquímicos e hélio também são afetados, gerando preocupações sobre as cadeias de suprimentos globais, a inflação e o crescimento econômico. Países em desenvolvimento e emergentes, que dependem fortemente de importações de energia, são particularmente vulneráveis, assim como algumas economias emergentes na África e América Latina, e países do Oriente Próximo com finanças mais frágeis.
Racionamento e Recuperação do Sistema Energético
Embora o racionamento em larga escala em economias avançadas não seja esperado no curto prazo, Birol não descarta essa possibilidade se o bloqueio de Ormuz se prolongar. Mesmo com a reabertura do estrecho, a recuperação do sistema energético será um processo demorado. Mais de 70 instalações energéticas no Oriente Próximo sofreram danos, com uma parcela significativa apresentando avarias graves, exigindo tempo considerável para o retorno à operação normal. A confiança nos riscos de segurança no Oriente Próximo também deixará cicatrizes duradouras.
Diversificação e Energias Renováveis como Solução
Para o futuro, Birol aponta para uma maior diversificação das fontes de suprimento energético. As energias renováveis, como a solar e a eólica, emergem como as grandes vencedoras, impulsionadas não apenas por razões ambientais, mas também por motivos econômicos e de segurança energética. Espera-se também um forte impulso para veículos elétricos e um renascimento da energia nuclear. Essas mudanças reconfigurarão as relações comerciais energéticas e as estratégias nacionais.
A AIE já realizou a maior liberação de reservas estratégicas de petróleo da história, com 400 milhões de barriles, o que gerou um impacto temporário nos preços. No entanto, a agência mantém 80% de suas reservas disponíveis e está preparada para agir novamente, se necessário, para mitigar os efeitos da crise.
Fonte: Elpais