Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é preso em operação contra fraudes financeiras

Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero por suspeita de receber propina em fraudes financeiras.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), foi detido nesta quinta-feira como parte da quarta fase da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que Costa teria recebido propina para viabilizar operações fraudulentas envolvendo o Banco Master. Daniel Lopes Monteiro, advogado ligado a Daniel Vorcaro, controlador do Master, também foi preso na ação. As investigações, que contaram com auditoria forense contratada pela nova gestão do BRB, já indicavam uma proximidade entre Costa e Vorcaro. Evidências apresentadas sugerem que Costa recebeu seis imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, avaliados em R$ 146,5 milhões, como propina. A titularidade real desses bens teria sido ocultada por meio de fundos e empresas de fachada. Segundo as acusações, autorizadas pelo ministro André Mendonça do STF, Costa teria utilizado sua posição na presidência do BRB para manter a liquidez do Banco Master, atuando como beneficiário direto de vantagens indevidas. A PF considera que essa conduta não se trata apenas de negligência administrativa, mas de adesão consciente a um esquema criminoso. Durante a gestão de Costa, o BRB adquiriu R$ 30 bilhões em ativos do Master, incluindo R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro, em um período em que o Banco Master já enfrentava crise de liquidez. Após inconsistências serem notadas pelo Banco Central, os ativos foram substituídos por outros, muitos também problemáticos. O BRB chegou a tentar adquirir uma parte do Master em março de 2025, mas as operações resultaram em um enfraquecimento do banco, que agora necessita de capitalização superior a R$ 8 bilhões. Diálogos extraídos do celular de Costa indicam que as inconsistências nas carteiras de crédito do Master eram conhecidas desde o início da operação com o BRB, apesar de o executivo ter negado. As compras foram aceleradas, desconsiderando controles prudenciais. A PF rastreou pagamentos de mais de R$ 74 milhões no esquema dos imóveis, com o restante não pago devido à descoberta de um procedimento investigativo sigiloso pelo MPF. Mendonça identificou fortes indícios de que Costa atuava como “mandatário de Vorcaro”, com mensagens trocadas entre eles detalhando visitas a imóveis e negócios ilícitos. A atuação pode configurar crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e ilícitos contra o sistema financeiro. Daniel Lopes Monteiro, apontado como “arquiteto jurídico” de Vorcaro, atuou em diversos contratos envolvendo o Banco Master. Em nota, a defesa de Monteiro afirmou que o advogado foi “surpreendido” com a decisão e que sua atuação sempre foi “estritamente técnica”. A defesa de Costa considera a prisão desnecessária, argumentando que o ex-presidente não representa perigo para a instrução processual. Costa, funcionário de carreira da Caixa, presidiu o BRB por quase seis anos, desde 2019. Ele sempre negou irregularidades, afirmando que as transações seguiram as regras de governança e foram acompanhadas pelo Banco Central. Argumentava que o próprio BRB identificou problemas na documentação dos créditos do Master e informou ao BC.

Fonte: Globo

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