As negociações entre os Estados Unidos e o Irã terminaram sem um acordo sobre pontos cruciais, como o cessar-fogo permanente e a liberação de fundos iranianos. A reunião, que durou 21 horas em Islamabad, capital do Paquistão, não resultou em um consenso, apesar de ter sido considerada um avanço por quebrar um tabu diplomático.
O vice-presidente americano, J. D. Vance, afirmou que os EUA apresentaram sua melhor oferta final, mas o Irã não a aceitou. Vance não detalhou os limites estabelecidos pelos americanos, mas declarações públicas de ambos os lados indicavam divergências significativas.
Três pontos principais de impasse foram identificados: a reabertura do estreito de Hormuz, o destino de urânio altamente enriquecido e a liberação de cerca de 27 bilhões de dólares em receitas congeladas no exterior. O Irã recusou-se a reabrir o estreito sem um acordo de paz final e exigiu reparações pelos danos causados por ataques aéreos.
Outro ponto de discórdia foi a exigência americana de que o Irã entregasse ou vendesse seu estoque de urânio enriquecido. O Irã apresentou uma contraproposta, mas as partes não chegaram a um compromisso.
Apesar do fracasso em alcançar um acordo, o encontro entre Vance e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, foi o contato presencial de mais alto nível entre os dois países desde 1979. Analistas consideram que o simples fato de as negociações terem ocorrido demonstra a intenção de ambos os lados em encerrar o conflito.
A mídia iraniana citou demandas consideradas excessivas pelos EUA, enquanto o Ministério das Relações Exteriores afirmou que era natural não esperar um acordo em uma única rodada de negociações. A possibilidade de novas discussões permanece aberta.
O fim abrupto das negociações levanta dúvidas sobre o cessar-fogo de duas semanas firmado anteriormente e pode impactar os mercados de petróleo e gás. O Paquistão se ofereceu para continuar facilitando o diálogo entre os dois países.