A dívida pública na Zona do Euro cresceu pelo segundo ano consecutivo, atingindo 87,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Dados divulgados pela Eurostat indicam que o bloco europeu enfrenta desafios persistentes para reduzir o passivo acumulado, mesmo após a implementação de novas regras fiscais iniciadas em 2024.
Fatores que pressionam as contas públicas
O aumento do endividamento reflete uma combinação de fatores estruturais e geopolíticos. O crescimento dos gastos com Defesa tornou-se uma prioridade orçamentária diante das mudanças no cenário internacional. A Comissão Europeia permitiu que Estados-membros flexibilizassem metas fiscais para acomodar investimentos em armamentos, uma medida adotada por 17 países do bloco.
Além disso, o custo do serviço da dívida permanece elevado. Embora o Banco Central Europeu (BCE) tenha reduzido as taxas de juros em relação aos picos inflacionários anteriores, o custo de financiamento e refinanciamento do passivo estatal continua superior aos níveis observados no passado recente, conforme aponta a OCDE.
Desempenho heterogêneo entre os países
A situação fiscal varia significativamente entre as nações europeias. Enquanto a Espanha conseguiu reduzir sua dívida para 100,7% do PIB devido ao crescimento econômico recente, a Alemanha apresenta estagnação, com o endividamento em 63,5% do PIB.
Outros países enfrentam desafios mais agudos. A França registrou alta na dívida para 115,6% do PIB, pressionada por um déficit público superior a 5%. A Itália mantém um passivo acima de 137%, enquanto a Grécia, embora possua a maior dívida do bloco com 146,1%, segue em trajetória de redução, tendo cortado 33 pontos percentuais do PIB nos últimos quatro anos.
Fonte: Elpais