O governo de Cuba anunciou na noite de quinta-feira a libertação de mais de 2.000 detentos. Esta é a segunda vez no ano que o governo comunista divulga um indulto, em um contexto de conversas com a administração do presidente dos EUA. O jornal estatal Granma classificou a medida como um ‘gesto humanitário e soberano’.

O governo cubano tem negado consistentemente que suas decisões sejam tomadas sob pressão dos EUA. No entanto, o anúncio coincide com a intensificação da pressão de Washington sobre a ilha nas últimas décadas.
Segundo a mídia estatal, a decisão de libertar 2.010 detentos resultou de uma análise cuidadosa dos crimes cometidos, da boa conduta na prisão, do cumprimento de parte significativa da sentença e do estado de saúde dos condenados.
O indulto excluiu diversas categorias de criminosos, incluindo aqueles presos por assassinatos, crimes relacionados a medicamentos e pedofilia, além de condenados por ‘crimes contra a autoridade’. Não foi esclarecido quantos dos presos libertados foram detidos por acusações ligadas a protestos contra o governo.
O anúncio de anistia, o maior em anos, ocorre um dia após o principal diplomata de Cuba em Washington convidar publicamente o governo dos EUA a auxiliar na reforma da economia cubana. Em março, Cuba já havia libertado 51 presos em acordo com o Vaticano.
Grupos de direitos humanos, alguns financiados pelo governo dos EUA, afirmam que o governo cubano mantém centenas de presos políticos. O Observatório Cubano de Direitos Humanos, com sede em Madri, declarou que acompanhará de perto as próximas etapas, exigindo um processo ágil, transparente e que inclua a totalidade dos prisioneiros políticos.
Cuba nega repetidamente a existência de presos políticos, afirmando que os detidos durante protestos foram considerados culpados de crimes como desordem pública, resistência à prisão, roubo e vandalismo. O país culpa os EUA por financiar agitação e incentivar sua disseminação como parte de um plano para derrubar o governo.
Fonte: Infomoney