A China tem intensificado seus esforços diplomáticos para mediar um cessar-fogo entre o Irã e Israel, mas sua principal motivação reside na proteção de seus próprios interesses econômicos, especialmente as exportações globais.

Relatos indicam que Pequim pressionou o Irã a aceitar um cessar-fogo temporário, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmando que o país fez “esforços ativos” para encerrar o conflito. Wang Yi, Ministro das Relações Exteriores, realizou 26 chamadas telefônicas com representantes de diversos países, incluindo Rússia, Arábia Saudita, Alemanha e Irã, desde os ataques de fevereiro.
O que você precisa saber
- A China busca proteger sua economia exportadora de interrupções no comércio global.
- O Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, é crucial para as importações de petróleo da China.
- Aumento dos custos de energia pressiona as margens das fábricas na China e eleva os preços ao consumidor.
Interesses econômicos em jogo
A preocupação de Pequim com o risco de uma desaceleração econômica global, exacerbada pela guerra, é um fator chave em sua postura diplomática. As exportações líquidas contribuíram significativamente para o PIB da China no ano passado, tornando sua economia vulnerável a choques no comércio internacional.
Apesar de o Estreito de Hormuz ser vital para as importações de petróleo da China, representando quase metade de suas importações marítimas, o consumo total de energia do país proveniente dessa fonte é relativamente baixo. No entanto, a China enfrenta pressão devido ao rápido aumento dos custos de energia e espera a reabertura do estreito.
Papel diplomático e histórico
A atuação diplomática da China se baseia em seu sucesso anterior em restaurar as relações diplomáticas entre Irã e Arábia Saudita, um movimento que elevou seu perfil na região. Especialistas apontam que Pequim pode atuar como mediador quando ambas as partes demonstram disposição para reduzir o conflito.
A China apoia os esforços de mediação de outros países, como o Paquistão, que sediará conversas de cessar-fogo. Pequim tem defendido o fim das hostilidades e a restauração da paz e estabilidade no Oriente Médio, incluindo a normalização da passagem de navios pelo Estreito de Hormuz.
Apesar das ações diplomáticas, as tensões geopolíticas subjacentes entre a dependência da China de uma ordem global baseada em regras e a disposição dos EUA em desestabilizar essa ordem permanecem. A dinâmica global continua sendo um fator importante a ser observado.
Fonte: Cnbc