Bolsas de NY reduzem perdas com possível reabertura do Estreito de Ormuz

Bolsas de Nova York reduzem perdas após notícia sobre plano de reabertura do Estreito de Ormuz entre Irã e Omã, aliviando aversão ao risco global.

Após o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerar um amplo movimento de aversão ao risco globalmente, a notícia de que um plano para reabertura de Ormuz está sendo elaborado entre o Irã e Omã deu um certo grau de alívio aos ativos americanos. As bolsas de Nova York, que chegaram a despencar mais de 1%, exibem recuo contido. O dólar no exterior se afastou das máximas, enquanto o rendimento dos Treasuries reverteram a tendência de alta e passaram a mostrar uma leve queda.

O índice Dow Jones recuava 0,55%, aos 46.307,61 pontos. O S&P 500 cedia 0,38%, aos 6.550,14 pontos; e o Nasdaq perdia 0,45%, aos 21.742,25 pontos.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançava 0,32%, aos 99,97 pontos. O rendimento da T-note de 2 anos oscilava para 3,800%, de 3,815% do ajuste anterior, e a taxa da T-note de 10 anos ia a 4,310%, de 4,322%.

O discurso de Trump surpreendeu negativamente o mercado, visto que o republicano mudou a narrativa dos últimos dias, que levou os investidores a ventilar a possibilidade de um cessar-fogo, e adotou um tom belicoso. “Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem”, disse.

“O discurso do Trump não foi um que indicava o fim da guerra, mas um de escalada. O mercado leu [as falas] como uma continuidade da incerteza, justamente porque havia a possibilidade de ele sair da guerra sem o Estreito de Ormuz estar aberto”, avalia Isadora Junqueira, da AZ Quest.

A melhora ocorreu após a Bloomberg noticiar, citando a agência estatal IRNA, que o Irã está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse ao veículo iraniano que o tráfego de embarcações pelo estreito deve ocorrer sob a supervisão e coordenação de ambos os países.

Junqueira alerta, porém, que esse seria um acordo para o pós-guerra e que enquanto o conflito continuar, o Estreito permanecerá fechado. “Essa escalada vai continuar por, pelo menos, mais três semanas, como o Trump falou”.

O mercado de energia chegou a ver um alívio momentâneo, mas logo reacelerou. O petróleo Brent com entrega para junho disparava 6,75%, cotado a US$ 107,99 por barril. O WTI com vencimento para maio saltava 11,90%, cotado a US$ 112,03 por barril.

O Royal Bank of Canada (RBC) acrescenta que, caso um acordo de paz seja alcançado, é provável que a extensão dos danos causados à infraestrutura portuária e de transporte marítimo no Golfo determine o quão altos os preços do petróleo chegarão e por quanto tempo permanecerão elevados.

E embora todas as regiões do globo já estejam sentindo um aumento na inflação devido à alta dos preços dos combustíveis, os impactos para o crescimento serão desiguais, segundo o RBC. Eles esperam que países que produzem petróleo e gás natural suficientes para suas próprias necessidades, como os EUA, sofrerão menos. A Europa e a Ásia, excluindo a China, terão maiores prejuízos.

O cenário macroeconômico ficou em segundo plano na sessão, diante dos riscos geopolíticos crescentes. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 202 mil na semana passada, abaixo da estimativa de 212 mil. Já o déficit da balança comercial americana ficou em US$ 57,3 bilhões em fevereiro, acima dos US$ 54,7 bilhões registrados no mês anterior.

Fonte: Globo

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