A firma de investimentos em crédito privado Blue Owl Capital registrou um aumento expressivo nos pedidos de resgate no primeiro trimestre, totalizando cerca de US$ 5,4 bilhões em dois de seus fundos principais. A situação intensifica os questionamentos sobre a saúde dessa classe de ativos e da própria empresa.
A companhia informou que os pedidos de saque em seu fundo de empréstimos para tecnologia, o Blue Owl Technology Income Corp, atingiram 40,7% do valor total do fundo, equivalente a US$ 3 bilhões. Já o principal fundo de empréstimos diretos da firma, o Blue Owl Credit Income Corp, com US$ 20 bilhões, teve pedidos de saída correspondentes a 21,9% de seu valor.
A Blue Owl aplicou um limite de 5% para saques em ambos os fundos. Essa restrição, comum em fundos de crédito privado, permite ao gestor suspender resgates quando o limite é ultrapassado.
A limitação dos saques expõe os riscos para investidores individuais que migraram para fundos de crédito privado não negociados nos últimos três anos, atraídos pela promessa de retornos maiores em troca de liquidez restrita.
A decisão de limitar os resgates também reflete as dificuldades enfrentadas pela Blue Owl, que administra mais de US$ 300 bilhões em ativos. As ações da empresa registraram queda de mais de 47% neste ano.
A aceleração dos pedidos de liquidação ocorreu um dia após os investidores precisarem decidir sobre a apresentação de solicitações de resgate. O mercado já antecipava saques de dois dígitos em ambos os fundos.
Os dois fundos da Blue Owl, que utilizam alavancagem para potencializar retornos, administravam carteiras com valor superior a US$ 42 bilhões no final de 2025.
A tentativa de saída em massa dos investidores superou os saques observados em concorrentes maiores, muitos dos quais já haviam limitado seus resgates, evidenciando as preocupações dos investidores com seus veículos de investimento.
Outras gestoras como KKR, Ares Management, Apollo Global e HPS Investment Partners também implementaram limitações em resgates de seus fundos.
No primeiro trimestre, investidores tentaram resgatar aproximadamente US$ 19 bilhões de fundos de empréstimos diretos, veículos de crédito privado que concedem empréstimos diretamente a empresas e firmas de private equity, sem a intermediação de bancos.
Esses fundos, que detêm investimentos na ordem de US$ 275 bilhões, conseguiram honrar pouco mais da metade dos pedidos de saque recebidos.
Os resgates podem impactar a estratégia de gestoras de investimentos privados que visam o sistema de aposentadoria dos EUA, estimado em mais de US$ 10 trilhões. O governo americano sinalizou a intenção de criar novas regras para facilitar o acesso a investimentos privados em contas de poupança 401k.
O Tesouro dos EUA também anunciou que buscará entender os riscos associados ao crédito privado junto a reguladores do setor de seguros.
Craig Packer, copresidente da Blue Owl, atribuiu o aumento nos resgates a um “período de sentimento negativo elevado em relação à classe de ativos”, intensificado por resultados de ofertas de recompra de concorrentes. Ele ressaltou que os fundamentos de crédito subjacentes na carteira da Blue Owl permanecem resilientes.
No início do ano, a Blue Owl suspendeu permanentemente os resgates de um de seus fundos mais antigos, visando o encerramento do veículo.