Mensagens obtidas nas investigações da Operação Compliance Zero revelam que o Banco Master dependeu de aportes financeiros do Banco de Brasília (BRB) para manter sua liquidez desde agosto de 2024. A troca de comunicações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e outros envolvidos aponta que a instituição estatal, ligada ao governo do Distrito Federal, realizou injeções de capital para evitar a insolvência do banco privado meses antes da tentativa oficial de aquisição.
Operação Compliance Zero e irregularidades
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi detido durante a quarta fase da operação que apura desvios e corrupção. As autoridades investigam a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito classificadas como fictícias. O Banco Central, responsável pela supervisão do sistema financeiro, bloqueou a aquisição do Master pelo banco estatal em setembro de 2025.
Uso indevido de depósitos compulsórios
Documentos indicam que Daniel Vorcaro pressionou sócios por novos repasses de capital sob o risco de utilização de reservas obrigatórias. O banqueiro mencionou o uso do depósito compulsório — exigência técnica do Banco Central — como alternativa caso o socorro do BRB fosse interrompido. A operação contava com a cessão de carteiras de crédito consignado para mascarar a situação financeira.
Triangulação e liquidação do banco
Entre janeiro e março de 2025, o Master transferiu cerca de R$ 4,6 bilhões ao BRB por meio de 20 contratos. A estratégia envolvia a empresa Tirreno, utilizada como fachada para as injeções de capital. Após a identificação de fraudes bilionárias e desvios, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025.
Fonte: Estadão