Um ano após o histórico apagão que deixou a Península Ibérica sem energia elétrica, as causas permanecem em debate. Embora especialistas apontem para falhas técnicas e não para fenômenos paranormais, a magnitude do evento, ocorrido em 28 de abril de 2025, levanta questões sobre a fragilidade do sistema.
Relatórios de diversos organismos apontam para “deficiências no controle de tensão” como a causa principal. O apagão teria se originado em duas plantas fotovoltaicas no sudoeste do país, com oscilações que se propagaram pelo sistema. No entanto, a dependência de 36 milhões de consumidores de uma única instalação levanta dúvidas sobre a simplicidade dessa explicação.
Investigações e Relatórios
Diversos relatórios foram publicados desde o incidente, incluindo um da própria Red Eléctrica (REE), do Ministério para a Transição Ecológica e um sumário da CNMC. Estes documentos detalham os fatos, mas nenhum atribui responsabilidades diretas. A CNMC, por exemplo, limitou-se a reiterar os fatos e a propor recomendações para evitar futuras ocorrências.
A REE, por sua vez, acusou empresas geradoras de descumprirem níveis de tensão, o que teria provocado as sobretensões. As empresas negam, argumentando que as plantas não atingiram os limites de tensão regulamentados antes de se desconectarem.
Causas Multifatoriais
Técnicos e relatórios, incluindo o da rede europeia Entso-e, concordam que o apagão foi resultado de uma combinação de fatores. Além das oscilações iniciais, foram identificadas deficiências no controle de tensão e de potência reativa, diferenças nas práticas de regulação de tensão e capacidades desiguais de estabilização.
A REE, desde o incidente, aumentou significativamente o número de centrais térmicas programadas diariamente, o que alguns no setor interpretam como uma autoinculpação.
O Papel do Senado e a CNMC
A comissão de investigação no Senado não trouxe clareza, sendo criticada pela politização e pelo escasso esforço em compreender a complexidade técnica. A decisão final sobre possíveis infrações e sanções está nas mãos da CNMC, cujo parecer é aguardado para que os afetados possam buscar reparações judiciais.
Fonte: Cincodias