Um norte-americano identificado como Dennis Hope lucrou milhões de dólares ao vender terrenos na Lua, explorando uma brecha na legislação internacional. A prática ganhou destaque novamente com a atual Missão Artemis 2.






A estratégia de Hope começou por volta de 1980, quando ele se encontrava em dificuldades financeiras. Ao pesquisar sobre a exploração espacial, identificou uma lacuna no Tratado sobre o Espaço Exterior, de 1967, elaborado pela Nações Unidas (ONU).
Interpretação de brecha legal
O tratado estabelece que o espaço sideral é um bem comum da humanidade e não pode ser apropriado por nenhuma nação. No entanto, o artigo 2 do documento afirma que a Lua e outros corpos celestes não estão sujeitos a apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso ou ocupação, nem por nenhum outro meio.
Dennis Hope interpretou que, se a Lua não pertence a nenhum país, também não pertence a ninguém individualmente. Ele argumentou que, embora o tratado impedisse a reivindicação por nações, não havia restrições para pessoas físicas.
O plano de colonização lunar
Inspirado pela colonização do Novo Mundo, Hope decidiu “colonizar” a Lua. Ele enviou uma carta à ONU reivindicando a propriedade não apenas da Lua, mas de todos os planetas conhecidos do sistema solar e seus satélites. A ausência de resposta da ONU permitiu que ele prosseguisse com seu plano.
Hope então começou a lotear e vender as propriedades lunares, seguindo um modelo semelhante ao mercado imobiliário terrestre, com lotes medidos em hectares. A oferta incluía terrenos de 1,8 mil e 2 mil acres (aproximadamente 728 a 809 hectares).
Clientes e faturamento
Segundo relatos de Hope, seu negócio atraiu clientes como estrelas de Hollywood e ex-presidentes dos Estados Unidos, além de grandes corporações e redes hoteleiras. Ele estima ter lucrado cerca de US$ 12 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) até 2019, dedicando-se exclusivamente a essa atividade desde 1995.
Para garantir a validade de suas vendas, Hope criou um documento que estabelecia uma república democrática, apelidada de “Governo Galáctico”, composta por ele e os proprietários de terras lunares. Ele afirma que este governo possui uma Constituição ratificada por milhões de proprietários e votos.
Apesar da controvérsia e da afirmação de especialistas de que a Lua não pertence legalmente a ninguém, o negócio de Dennis Hope se mantém ativo.
Fonte: Moneytimes