Conversas entre Afeganistão e Paquistão para resolver um conflito em andamento registraram progresso “útil”, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão, liderado pelo Talibã.






As duas partes negociaram na cidade chinesa de Urumqi desde a última quinta-feira, buscando encerrar confrontos que deixaram dezenas de mortos em ambos os lados.
O Paquistão acusou o Talibã no Afeganistão de abrigar militantes que realizam ataques em território paquistanês. O Afeganistão, por sua vez, insiste que a militância é um problema de segurança interno paquistanês.
A mais recente rodada de combates ocorre após o Afeganistão ter lançado ataques transfronteiriços em resposta a ataques aéreos paquistaneses dentro do Afeganistão em fevereiro. O Paquistão declarou então estar em “guerra aberta” com seu vizinho, com os combates interrompendo um cessar-fogo mediado pelo Catar que havia entrado em vigor em outubro.
Paquistão afirma que operação militar continuará
O Ministro das Relações Exteriores interino do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, reuniu-se com o embaixador da China no Afeganistão na terça-feira e agradeceu a Pequim por organizar e sediar as conversas.
Muttaqi também agradeceu à Arábia Saudita, Turquia, Catar e Emirados Árabes Unidos por seus esforços de mediação.
“Observando que discussões úteis ocorreram até agora, o Ministro das Relações Exteriores expressou esperança de que interpretações menores não prejudiquem o progresso das negociações”, postou o Ministério das Relações Exteriores no X.
Oficiais paquistaneses não responderam diretamente às conversas. Na terça-feira, o Chefe do Exército do Paquistão, Field Marshal Asim Munir, reuniu-se com comandantes militares de alto escalão.
A liderança da reunião jurou continuar sua operação militar até que “os redutos dos terroristas e o uso do solo afegão contra o Paquistão sejam decisivamente encerrados”.
Último surto deslocou cerca de 94.000 pessoas, diz ONU
O escritório das Nações Unidas para a coordenação de assuntos humanitários no Afeganistão estima que o conflito deslocou 94.000 pessoas no total, com cerca de 100.000 pessoas em duas províncias afegãs próximas à fronteira ficando completamente isoladas desde fevereiro devido aos combates.
Os combates recentes são considerados os mais severos entre os dois países, embora as tensões venham crescendo desde o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão em 2021. O grupo tem laços com o grupo militante Talibã paquistanês, conhecido como Tehrik-e-Taliban Pakistan ou TTP, mas é separado dele.
O Afeganistão acusou o Paquistão de realizar um ataque aéreo visando um centro de reabilitação de drogas em Cabul em 17 de março, que, segundo o país, matou mais de 400 pessoas.
O Paquistão rejeitou a versão do Talibã, dizendo que “atingiu precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio ao terrorismo”.
As duas partes concordaram com uma pausa nos combates coincidindo com o fim do mês sagrado muçulmano, o Ramadã, em 18 de março.
Fonte: Dw