O mercado financeiro demonstra crescente preocupação com a dívida da Aegea, empresa do setor de saneamento básico, devido à deterioração de sua alavancagem. A proximidade com os limites contratuais de endividamento tem gerado apreensão entre investidores e analistas.
A divulgação tardia dos resultados da Aegea intensificou o temor de quebra de cláusulas restritivas em parte de suas dívidas, conhecidas como “covenants”. Embora um evento de default técnico não tenha ocorrido com a apresentação dos balanços, a nova situação financeira da empresa indica uma margem de manobra reduzida.
Alavancagem e Limites Contratuais
A alavancagem financeira consolidada da companhia atingiu 3,78 vezes a dívida líquida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nas demonstrações auditadas. Em uma base “proforma”, o indicador chegou a 4,5 vezes, superando as expectativas do mercado, que projetavam um número entre 3,3 e 3,7 vezes.
Existia uma preocupação significativa em relação aos “covenants”, com relatos indicando que a maioria das emissões de dívida da Aegea estabelece um limite de alavancagem líquida de 3,5 vezes. No entanto, fontes ligadas à empresa apontam que o limite atual seria de até 4,0 vezes, conforme também indicado pela agência Moody’s.
Percepção de Risco e Governança
A demora na divulgação dos resultados e o aumento da alavancagem são vistos como sinais de alerta. Analistas de crédito destacam que a companhia já era considerada vulnerável devido à queima de fluxo de caixa livre, políticas de crescimento e financeiras agressivas, e uma estrutura societária complexa.
Questões de governança também são um ponto de atenção, evidenciadas por recentes rebaixamentos de rating da Aegea pela S&P Global e Fitch. A estratégia agressiva de expansão, embora impulsione o crescimento, demanda capital para pagamento de outorgas e investimentos em ampliação e melhoria dos serviços.
Fonte: Globo