O partido de extrema-direita Alternative for Germany (AfD) enfrenta críticas crescentes por sua estratégia de submeter um volume massivo de perguntas parlamentares ao governo alemão. Especialistas apontam que a ferramenta, destinada à fiscalização do Executivo, estaria sendo utilizada para intimidar opositores e coletar dados sensíveis sobre indivíduos e organizações da sociedade civil.

Uso estratégico de questionamentos parlamentares
O mecanismo de perguntas formais, conhecido como Kleine Anfragen, permite que a oposição monitore a administração pública e force a transparência. Contudo, o volume de solicitações do AfD disparou nos últimos anos. Entre março e outubro de 2025, o partido submeteu 525 perguntas ao Bundestag, o parlamento federal alemão, representando quase dois terços do total de questionamentos realizados no período.
Críticos argumentam que o objetivo vai além da fiscalização comum. O partido buscaria obter nomes e registros de indivíduos e associações que recebem financiamento público, gerando insegurança entre professores e ativistas que atuam de forma crítica à legenda.
Riscos à infraestrutura e segurança nacional
Além da pressão sobre a sociedade civil, autoridades de segurança alertam para riscos relacionados à infraestrutura crítica. O ministro do Interior da Turíngia, Georg Maier, afirmou que existem indícios de que o partido utiliza o direito de questionamento para obter informações detalhadas sobre redes de transporte, energia e sistemas digitais.
Essa prática levanta preocupações em comitês de defesa sobre a proteção de dados sensíveis sobre as capacidades de segurança do país. O AfD rejeita as acusações de espionagem e defende que está apenas exercendo seu direito democrático de responsabilizar o governo por suas políticas. Enquanto o debate avança, a instabilidade política na região reflete tensões sobre como a economia russa e as relações diplomáticas influenciam a segurança de infraestruturas estratégicas na Europa.
Fonte: Dw