A valorização do real observada nesta quinta-feira reflete a internalização de capital pelo Tesouro Nacional. O movimento ocorre uma semana após a captação de 5 bilhões de euros realizada pelo Governo no mercado externo. A liquidação financeira dos títulos soberanos coincide com a forte pressão vendedora de dólares identificada logo no início das negociações.
O impacto no mercado de câmbio
Mesmo em um cenário de aversão ao risco no exterior, motivado por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, a moeda brasileira destacou-se entre as 33 mais líquidas do mundo. Profissionais do setor financeiro apontam que a operação de internalização segue um padrão observado em fevereiro, quando a liquidação de títulos soberanos também gerou um fluxo expressivo de venda de dólares.
A estratégia operacional envolve a conversão dos euros captados para dólares, dada a maior liquidez desse par, seguida pela venda da moeda americana contra o real. Esse fluxo tem sido notado especialmente em contratos de dólar cheios, que possuem maior volume financeiro por unidade em comparação aos contratos de dólar mini.
Possível redução de swaps cambiais
Diante do fluxo positivo de capital, o mercado especula sobre a postura do Banco Central. Existe a expectativa de que a autoridade monetária possa deixar de rolar parte do estoque de swap cambial com vencimento em maio, reduzindo a intervenção no mercado. O cenário também abre espaço para que o regulador não renove o estoque de linhas de venda de dólares com compromisso de recompra, que somam cerca de 3,7 bilhões de dólares para o início do próximo mês.
A dinâmica cambial atual é acompanhada de perto por investidores que buscam entender se o movimento de valorização do real será sustentável no curto prazo. A estabilidade da moeda brasileira, em meio a incertezas globais, reforça a atenção sobre a gestão de reservas e a política de intervenção cambial do país.
Fonte: Globo