O mercado brasileiro atravessa um período de alta complexidade, marcado por taxas de juros elevadas e um volume expressivo de empresas em processo de reestruturação. Segundo Rafael Fritsch, sócio e diretor de investimentos da Root Capital, este cenário oferece retornos atrativos para gestores que adotam métodos rigorosos de análise e possuem especialização para atuar em situações de risco.
Estratégia de crédito com foco em garantias
A gestora, que administra R$ 8 bilhões em fundos de crédito, adota uma política de concentração de portfólio. Enquanto fundos tradicionais mantêm entre 100 e 150 papéis, a Root Capital limita suas posições a um máximo de 50 ativos. A estratégia baseia-se na premissa de que a qualidade dos ativos é mais relevante que a diversificação, permitindo um acompanhamento próximo das companhias investidas.

Um exemplo prático dessa metodologia ocorreu com a Samarco, mineradora controlada pela Vale e pela BHP. Durante o processo de recuperação judicial, a gestora adquiriu dívidas garantidas por uma correia transportadora essencial para a operação da mineradora. Embora o equipamento tivesse baixo valor de revenda, sua importância operacional conferiu à Root Capital poder de negociação estratégico.
O valor da importância operacional
A capacidade de execução da garantia permitiu que a gestora garantisse tratamento prioritário nas negociações, resultando no recebimento integral dos valores, acrescidos de juros. Fritsch ressalta que, em crises, o valor de um ativo para o devedor é frequentemente mais determinante para o sucesso do investimento que o valor de mercado do bem em si.
Para investidores que buscam compreender as dinâmicas financeiras, o acompanhamento de indicadores macroeconômicos é indispensável, como observado quando o Ibovespa reage a novos ciclos de mercado. A visão da gestora para 2026 reforça a tese de que o ambiente de crédito no Brasil reserva oportunidades raras para quem identifica ativos essenciais em empresas sob pressão financeira.
Fonte: Infomoney