O empresário Maurício Camisotti, detido desde setembro de 2023, confessou a existência de fraudes estruturadas nos descontos de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O executivo firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, marcando a primeira colaboração formalizada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura desvios bilionários contra pensionistas.
Homologação do acordo no STF
O documento de delação foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, responsável pela análise e validação jurídica do conteúdo. A defesa do empresário busca a conversão da prisão preventiva em regime domiciliar. Camisotti, que geria associações de aposentados com convênios para descontos em folha, detalhou como ocorriam a inclusão indevida de beneficiários e as cobranças irregulares.
Desdobramentos da operação
A Polícia Federal prossegue com negociações envolvendo outros alvos da investigação. Entre eles, destaca-se o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, que permanece detido sob suspeita de receber propina de operadores do esquema. O ex-diretor de Benefícios da autarquia, André Fidélis, também iniciou tratativas preliminares com as autoridades.
Riscos à governança previdenciária
O episódio evidencia falhas graves na governança e gestão no setor público, facilitando o desvio de recursos da previdência. Informações preliminares indicam que os depoimentos de Camisotti citam suspeitas de envolvimento de dirigentes da autarquia e agentes políticos, o que pode dar início a novas fases da operação conduzida pela corporação policial.
Fonte: Estadão