O Palácio do Planalto enfrenta um momento de reavaliação estratégica diante de índices de popularidade pressionados por medidas econômicas com impacto direto no orçamento das famílias. A gestão busca se distanciar de projetos que se tornaram fontes de desgaste político, transferindo a responsabilidade por decisões impopulares para o Congresso Nacional.
Desafios na regulamentação de aplicativos e taxas
Três temas centrais compõem o atual cenário: a regulamentação do trabalho por aplicativos, a taxação de compras internacionais e o impacto das apostas esportivas. O projeto para motoristas e entregadores, que buscava enquadrar a categoria em normas próximas à CLT, encontrou resistência dos trabalhadores, que priorizam a autonomia. O tema foi retirado da pauta da Câmara para evitar que o ônus político recaísse sobre o Executivo.
Paralelamente, a taxação de 20% sobre importações de até US$ 50, popularmente conhecida como taxa das blusinhas, é alvo de críticas. O governo, que projetava inicialmente uma arrecadação de R$ 7 bilhões, avalia agora a viabilidade de revisar a cobrança diante da pressão da base aliada e do descontentamento dos consumidores.
Impacto das apostas e novas pautas econômicas
A regulamentação das bets é apontada como um ponto de tensão, dado que o foco na arrecadação fiscal ignorou alertas sobre o endividamento familiar. Com o aumento da inadimplência, o governo tenta retomar a agenda com pautas como o Desenrola e o debate sobre a escala de trabalho 6×1.
Sobre a jornada de trabalho, o governo enviou um Projeto de Lei ao Congresso, embora especialistas apontem que a alteração exigiria uma Proposta de Emenda à Constituição. A estratégia busca manter o controle da narrativa política em um movimento de articulação política para a recuperação da base eleitoral.
Fonte: Estadão