A Polícia Federal deflagrou a quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um complexo esquema de ocultação de bens e crimes financeiros envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A apuração aponta a utilização de empresas de fachada e laranjas para encobrir a propriedade de bens e manipular operações bancárias.
Estrutura de ocultação patrimonial
As investigações indicam que o esquema operava através de uma rede de empresas imobiliárias para ocultar bens avaliados em R$ 146,5 milhões. Hamilton Edward Suaki, cunhado do advogado Daniel Monteiro — que representa o Banco Master —, é apontado pela autoridade policial como a pessoa designada para figurar como diretor formal de seis sociedades anônimas. Estas empresas, localizadas no mesmo endereço do escritório de advocacia em São Paulo, foram constituídas entre julho e outubro de 2024 para a aquisição de imóveis de luxo.
Relatórios indicam que o ex-presidente do BRB negociou pelo menos seis imóveis ligados a Vorcaro, totalizando R$ 140 milhões, como suposta contrapartida para facilitar negócios entre as instituições. O fluxo de transações teria sido interrompido pelo início das investigações sigilosas sobre o caso.
Manipulação no sistema bancário
Além da ocultação de propriedades, a atual gestão do BRB aponta o uso de fundos e empresas ligadas ao Banco Master para atuar como laranjas em aumentos de capital. O objetivo seria conferir liquidez para a aquisição de ativos entre os bancos. Documentos do processo revelam que, ao final de 2025, cerca de 23,5% do capital social do BRB estava sob controle de acionistas com vínculos societários ou pessoais com o grupo investigado.
Prisões e defesas
O ministro do STF, André Mendonça, decretou a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro. A operação também realizou mandados de busca e apreensão contra sócios e entidades ligadas à gestora Reag e ao escritório Monteiro Rusu.
A defesa de Paulo Henrique Costa declarou que a prisão é desnecessária e ressaltou a colaboração do executivo com a Justiça. Outros envolvidos, como Cesar Reginato Ligeiro e Valério Marega Junior, negaram irregularidades, afirmando que suas atividades seguem estritamente as normas de governança e a legislação vigente.
Fonte: G1