O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a investigação aberta pelos Estados Unidos para analisar práticas comerciais brasileiras, baseada na Seção 301 da lei norte-americana, não deve ser utilizada como um instrumento político para justificar novas tarifas. A declaração foi feita durante as reuniões de primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, em Washington.
O inquérito, conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), abrange temas como o sistema de pagamentos instantâneos Pix, políticas de preservação ambiental, direitos de propriedade intelectual e decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal envolvendo empresas de tecnologia. O governo brasileiro mantém canais de negociação abertos, mas demonstra cautela diante do uso estratégico do processo pela gestão de Donald Trump.
Minerais críticos e parcerias globais
Durante os encontros, o representante do governo brasileiro destacou o interesse do país em estreitar laços com o G7, especificamente no setor de minerais críticos. A estratégia nacional foca no adensamento da cadeia produtiva local, buscando a incorporação de tecnologia em vez de atuar apenas como exportador de insumos brutos.
Além da pauta comercial, a equipe econômica estabeleceu um monitoramento semanal com o FMI e o Banco Mundial. O objetivo é acompanhar os reflexos econômicos de tensões geopolíticas globais, que geram volatilidade nos mercados e incertezas sobre a manutenção de políticas de mitigação econômica.
Renegociação de dívidas e segurança
No âmbito doméstico, o governo confirmou que o programa de renegociação de dívidas voltado a famílias e empresas está estruturado. Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa não demandará recursos primários do Tesouro Nacional, centralizando-se na mobilização de garantias para viabilizar os acordos.
Sobre a segurança nas fronteiras, o executivo ponderou sobre a cooperação internacional. O governo brasileiro manifestou resistência à classificação de facções criminosas locais como grupos terroristas, defendendo que o fortalecimento da inteligência entre a Receita Federal e órgãos aduaneiros dos Estados Unidos é uma medida de controle mais eficaz.
Fonte: Moneytimes