O funkeiro Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, foi preso temporariamente pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo. Ele é suspeito de liderar um esquema criminoso voltado à lavagem de dinheiro do crime organizado e do tráfico de drogas, utilizando plataformas de apostas online, rifas ilegais e empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento.

A defesa de MC Ryan SP alega que todos os valores em suas contas possuem origem comprovada e são devidamente tributados. A Operação Narco Fluxo visa desarticular um grupo especializado em blindagem patrimonial e ocultação de valores, com 31 suspeitos detidos.
Segundo a investigação, os envolvidos transferiam participações societárias para familiares e “laranjas” para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal. A Polícia Federal aponta MC Ryan SP como o líder da estrutura criminosa, suspeita de movimentar R$ 1,6 bilhão para o crime organizado.
O cantor teria utilizado empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga, seria o responsável por intermediar os contratos e pagamentos entre as plataformas ilegais de apostas e a estrutura criminosa.
Belga recebia valores de processadoras de pagamento e os repassava a empresas do artista e outros operadores financeiros. A investigação aponta que ele realizava repasses para sociedades vinculadas a Ryan e outros colaboradores, com movimentações compatíveis com técnicas de estruturação.
A gestão financeira de MC Ryan SP era operada por Tiago de Oliveira, identificado como “braço direito” e procurador do artista. Mensagens interceptadas indicam que Tiago atuou em diversas tratativas financeiras e imobiliárias em favor de Ryan, demonstrando ciência das irregularidades na cadeia de propriedade.
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento de investigações anteriores que apuraram um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. O contador Rodrigo de Paula Morgado, investigado por suspeita de ligação com o PCC, é apontado como operador-chave do grupo, auxiliando em estratégias de “proteção patrimonial” para Ryan.
Morgado viabilizava repasses em nome de terceiros e prestava serviços de gestão financeira para o grupo, incluindo ocultação de patrimônio e evasão fiscal. Investigações conexas também o vincularam a atividades de suporte financeiro a outras organizações criminosas.
O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho destacou que as evidências colhidas pela polícia indicam a atuação coordenada desses indivíduos em diferentes etapas do ciclo de lavagem de capitais. O esquema de MC Ryan SP mantém uma estrutura empresarial e rede de operadores que viabilizam a circulação e ocultação de valores provenientes da exploração sistemática de apostas ilegais e rifas digitais em escala nacional e internacional.
Fonte: Infomoney